EDITORIAL: Novembro nos deixou para sempre e levou consigo a esperança das chuvas, tão poucas para tão grande necessidade. Mas, se houve frustração climática, sobraram alegrias e emoções. Em novembro, além das gravações sempre profundas, mas alegres no CANAL FUTURA (Rede Globo), foi ainda possível estar mais uma vez com a Editora Paulus, agora em CURITIBA e, dias depois, no interior magnífico de Mato Grosso, onde viceja a linda ARAPUTANGA para palestra aos professores e aos alunos também e ainda nesse mesmo mês, dias inesquecíveis no Sítio Guarani, em GUARACIABA NO NORTE (CE) dessa mulher genial que é a Lucinda (IMEPH) para palestras alegres e produtivas em TIANGUÁ e depois em UBAJARA (CE). PORTAS FECHADAS À INTELIGÊNCIA E A MEMÓRIA A memória e a inteligência são as coisas mais nobres que a humanidade possui. Sem nossa memória não somos nada, não guardamos lembranças, apagamos nossa história e ficamos sem passado. Teremos apenas um permanente cotidiano e sem referências do ontem perderemos a vontade de esperar pelo amanhã, que se materializará em um eterno agora. A inteligência, por sua vez, é nossa capacidade de resolver problemas, superar desafios, inventar coisas, realizar-se como espécie singular. A inteligência humana criou as cidades, inventou o computador, esculpiu a Vênus de Milo, prolongou a duração da vida humana, deu asas aos sonhos e criou o sentimento do amor. A memória e a inteligência são, realmente, as coisas mais nobres e extraordinárias que a humanidade em sua evolução conquistou e possui. Mas, com os avanços das Neurociências descobriu-se que a memória é carne e que toda sua extraordinária síntese se reduz aos dois pequeninos hipocampos que abrigamos no interior de nossos hemisférios cerebrais. Se sugados em aguda cirurgia, estaremos reduzidos à perenidade do agora e assim se apagam nossas lembranças e tudo quanto pensávamos saber sobre nos mesmos. Ficaremos sem qualquer memória e, o que é pior, sem o poder de criar memórias recentes. Seremos apresentados a qualquer pessoa e, minutos depois, não mais teremos qualquer vestígio sobre esse alguém que se conheceu. Até bem pouco tempo nenhuma criação ousaria inventar algo que se rivalizasse com a memória e com a inteligência, mas atualmente já não é mais assim. Hoje, para a quase totalidade da população mundial, suas memórias pessoais e irrelevantes continuam como sempre foram e assim garantem sua identidade, mas compete com ela uma memória social e cultural a qual se denomina internet. A cada dia ainda mais se reduz a importância de registros mnemônicos e nas escolas, no cotidiano e nas empresas reter fundamentos vale bem menos que o poder em acessá-los. Para que encher a mente de informações, se o gesto de teclar e a habilidade em acessar a substituí com insofismável vantagem e ilimitada precisão e diversidade? Mais ou menos a mesma coisa ocorre com a inteligência humana. A cada dia a Inteligência Artificial se infiltra poderosamente nos processos cotidianos, realizando centenas de tarefas com excelência. Há poucas décadas não se falava nela para setores tão diversos como finanças, elevadores, hospitais, GPS, e na infraestrutura dos meios de comunicação. Hoje é inimaginável removê-la sem provocar uma crise. Não demorará a que a maioria das decisões que regem a vida dos seres humanos seja feita por máquinas. Por enquanto essas ações são, geralmente, benéficas. Mas a Inteligência Artificial, como afirma esse magnífico Professor Doutor (USP) Luli Radfahrer ainda está ainda em sua infância. Não existe no que aqui se relata qualquer desejo de ficção. São fatos que se constata e perceptíveis a qualquer pessoa em qualquer lugar. Mas, se tudo isso é assim tão claro e tão nítido, porque a escola brasileira, com tímidas e espaças exceções, ainda as ignora? Por que “decorar” continua sendo o mais “inteligente” estímulo aos quais as nossas crianças e jovens se curvam? Por que, afinal de contas, aula que se preza não desafia pensamentos e estimula a criatividade, mas força a memorização e a repetição? A escola brasileira, tristemente, fecha suas portas aos tempos novos que insistem pelas mesmas a se infiltrar.
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Itumbiara - GO 03/12
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Celso Antunes
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