< CELSO ANTUNES


EDITORIAL

 

 

UM AGOSTO QUE BEM COMEÇA É SEMPRE UM AGOSTO QUE BEM TERMINA.

 

NADA PODERIA CONFIRMAR COM MAIS VIGOR ESSA VERDADE QUE INICIAR ESTE MÊS COM UMA PALESTRA PARA MEUS QUERIDOS AMIGOS DO MATERNA, QUE SABEM COMO NINGUÉM ESCREVER EDUCAÇÃO INFANTIL EM MAIÚSCULO  E SAIR CORRENDO PARA FÓZ DE IGUAÇU, ONDE OUTROS AMIGOS QUERIDOS, DO ENERGIA, QUE PARCEIROS DE LONGA DATA,  NOS ACOLHIA COM  PROVERBIAL ENCANTAMENTO.

 

MAS, AGOSTO TEVE TAMBÉM UMA RECEPÇÃO ESPECIAL E FANTÁSTICA NESTE IMENSO E FLORESTAL AMAPÁ, LÁ EM LARANJAL DO JARI,  ONDE FOI POSSÍVEL DESCOBRIR QUE EDUCAÇÃO DE QUALIDADE É POSSÍVEL EM TODO LUGAR. DO AMAPÁ CORREMOS PARA O ABRAÇO DO WAINER EM CAMPOS DOS GOYTACASES, COM UMA RECEPÇÃO DE ARREPIAR ESTE VELHO EDUCADOR.

 

AINDA ESTE AGOSTO  ADMIRÁVEL GUARDAVA A DOCE SURPRESA DE REVIVER PASSA VINTE (MG) COM SEU JÁ TRADICIIONAL CONGRESSO, POÇOS DE CALDAS (MG)  ONDE A SEMPRE VIGOROSA CONEXA ENSINA COMO SE ORGANIZAR EVENTOS E, EM BELÉM, AINDA UMA VEZ COM MEUS AMIGOS E IRMÃOS DA FUTURO EVENTOS.

 

TODA ESSA CORRERIA SERIA FANTÁSTICA, MAS FALTAVA A TAL DA CHAVE DE OURO E ESTA VEIO DUPLA: COM A EMOÇÃO E O CARINHO DE SÃO GONÇALO DO SAPUCAI EM MINAS GERAIS E A SURPREENDENTEMENTE BELA E CUIDADA MIGUEL CALMOM,  NESSA BAHÍA DE TODOS OS MILAGRES.
 
 
 

O que um olhar primitivo e ingênuo poderia captar se pudesse ver, dentro do crânio aberto de uma pessoa, um cérebro vivo? Provavelmente, diria que o cérebro era nada mais que um pedaço de carne cinza esbranquiçada. Se, nos atrevêssemos a lembrar a esse observador que o que seus olhos viam era capaz de produzir pensamentos, de nutrir-se de fé e conceber o amor, certamente nos julgaria loucos. Mas, não existe qualquer loucura nessa afirmação: qualquer pessoa razoavelmente alcançada pela informação científica sabe que dentro do nosso crânio existe um bolo de carne a que chamamos cérebro e que é o mesmo o espaço em que os pensamentos e os sentimentos se consolidam. Parece ilógico, mas é indiscutivelmente real.

 

Até algumas décadas atrás, a ciência sabia que o cérebro intervinha sobre a mente e por isso existia inevitável correspondência entre um cérebro doente e uma mente insana. Não se duvidava que a amnésia, a depressão e uma série de outros transtornos eram causadas por desarranjos no cérebro e que quando era possível curar estes, resolviam-se os distúrbios mentais, derivados do mesmo. O que não se poderia conceber era o contrário, isto é, que os pensamentos pudessem modelar as estruturas anatômicas e que assim a mente, fluída e impalpável, pudesse mudar a carne. Parecia ilógico, mas atualmente é real.

 

Os primeiros abalos científicos sobre essa possibilidade, foram trazidos por um neurocientista de respeito inabalável. Roger Sperry, ganhador do Prêmio Nobel e que lecionou no Instituto de Tecnologia da Califórnia de 1954 até sua morte em 1994, teorizou que não apenas o cérebro poderia mudar a mente, mas também o vice-versa e que estados mentais poderiam sim atuar e modificar estados cerebrais, afetando a atividade eletroquímica dos neurônios. Sperry estava muito à frente de seu tempo e hoje uma imensa bateria de estudos e experimentos revelam que os poderes de pensamentos devidamente orientados provocam a mudança em neurônios e, em certos casos, ajudam pacientes com transtornos obsessivos compulsivos, casos de depressão e muitos outros. Não mais se trata de aconselhar doentes, mas de fazê-los dominar tipos de pensamento que modificando o cérebro, corrigem alguns de seus defeitos. Em outras palavras, a neurologia prova de maneira indiscutível que quando aprendemos a pensar, nossos pensamentos podem modelar as estruturas físicas de nosso cérebro.

 

Ao se chegar a esse ponto seria legítimo indagar qual a relação entre essas descobertas e a educação. A relação é colossal, pois se é possível aprendermos a pensar e se essa aprendizagem consolida mudanças em nosso cérebro, se percebe que um novo papel começa a se definir para a educação. Morre com tenaz resistência a concepção de ensino como transmissão de informações e assim se sepulta uma escola repetitiva de fatos e arquivos e começa a surgir uma idéia de ensino enquanto educação da mente, uma escola que vai esculpir o cérebro pela ação de pensamentos, reflexões, meditações. Ao se aprender a pensar não apenas se buscará ajuda para males do cérebro, mas sua abertura para a beleza da vida, a riqueza das idéias, a educação do verdadeiro, do belo e do bom.

 

Vivemos tempos de transição.

 

Essa transição seguramente não é fácil. Não se trata de reunir professores e avisá-los que de agora em diante não mais repetirão conceitos ou relatarão teorias, mas que deverão se valer desses conceitos e dessas teorias para buscar a ousadia da criatividade e associação e liberdade de pensamentos. Se uma escola novinha em folha começa a nascer, é imprescindível que nasça com ela outros novos professores capazes de repudiar a monotonia da repetição para buscar a ousadia das idéias.

 

É chegada à hora de nos colocarmos à frente de nosso tempo.

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Não são estas apenas páginas de um educador, mas veículo aberto a todos que possuem algo a dizer. Reiteramos aqui o que sempre afirmamos. Não sabemos como será o amanhã, sabemos apenas que terá a forma que o educador lhe atribuir.

Celso Antunes
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