UMA AULA NOTA DEZ

Eu gostaria muito, mas muito mesmo, que as escolas brasileiras ministrassem aos seus alunos desde o início do Ensino Fundamental, aula como as que são praticadas em uma boa escola de culinária, ou se preferirem, da mesma forma como são as aulas em uma autoescola. Isso mesmo, aula de culinária ministrada por um extraordinário “chef” ou aula experimental desenvolvida por um instrutor que a essa condição chegou por ser um dedicado e experiente motorista.

Se olharmos sem preconceito para esses dois modelos o que, à primeira vista, salta aos olhos?

Desenvolvem aulas que exercitam competências e habilidades operatórias e que não podem deixar ser essencialmente interdisciplinares. Quem quer que se matricule em uma ou outra dessas escolas, busca essencialmente o “saber fazer”, a essencial competência de materializar o conhecimento teórico ao conhecimento prático e, dessa maneira, e, por exemplo, aprendem as leis do trânsito, mas ser eficiente para acelerar em uma subida ou estacionar em uma vaga, ou ainda, diferenciar produtos a serem fritos ou cozidos, mas, sobretudo transformar o saber em sabor. Ao que me conste aluno algum procura a autoescola para apenas memorizar regras sobre a circulação de veículos em trânsito ou mostra-se apto ao dizer de cor à receita de um doce ou salgado, mas, sobretudo pela essencial competência do “saber fazer” do mágico poder em materializar a aprendizagem em ações que a usem no sentido prático e realista.

Mais ainda, quem quer que seja diplomado nessas escolas aprendem em seus diálogos ou reflexões fazer do conhecimento conquistado meios práticos para analisar, argumentar, decidir, comparar, classificar, sintetizar e mais, muito mais. Ao mesmo tempo em que os cérebros dos alunos nessas instituições materializam a aprendizagem e levam à ação, sabem explicar e exercer habilidades diferentes e aprendem em seu breve curso uma fenomenal experiência interdisciplinar. Será que dirigir um veículo pelas ruas de uma cidade dispensa a concepção matemática? Não usa a percepção espaço temporal da história e da geografia? Não sentem que o saber científico leva a certeza que o suposto saber aleatório dispensa? Em síntese, aprender a preparar um extraordinário jantar ou mesmo chamar os amigos para um bom churrasco, da mesma forma como levar ou buscar os filhos em uma festa requer ação, exige habilidades múltiplas, envolve um saber multidisciplinar incomum que o dia a dia sempre suscita e proporciona.

Para encerrar experimente comparar a aula brasileira convencional com essa ação prática e se descobrirá que discursos e mais discursos nunca levam alunos a lugar algum e, pior ainda, são extravagantes e maçantes rotinas memorativas em novos tempos em que qualquer informação necessita apenas de um toque no mouse. Quem sabe um dia as excelentes escolas que convidarão os pais a trazerem filhos para verdadeiramente aprenderem a conhecer a vida, interpretarem o tempo, lerem o mundo, descobrir o entorno e aprender que quem não sabe compartilhar com o outro, não imagina a dignidade da graça humana na empatia.