SAUDOSISMO, AGORA?

Com frequência, em conversas entre amigos, colegas de trabalho e até mesmo familiares, os programas de televisão, novelas e propagandas têm sido alvo de muitas críticas.

Todos, sem exceção, dizem: “A apelação é demais…” ou “Não se aproveita nada do que se ouve ou vê…” e, o que é pior, “No meu tempo não era assim…” (frase típica dos mais velhos). Se houvesse como voltar ao passado, diríamos: entre numa máquina do tempo e volte para lá! Mas isso não é possível.

Tudo bem que “recordar é viver”, mas, quando se trata de trazer um passado que não voltará mais e relembrar situações que não contribuem para a formação de um cidadão para o mundo contemporâneo, recordar passa a ser “retroceder”.

Muitas vezes, perdemos oportunidades brilhantes, como a de “do limão fazer uma limonada”. Cenas apelativas, textos inadequados e pesados, notícias ruins, enfim, o que nos parece desgraça para a formação dos jovens não precisa ser incorporado por nós, mas trabalhado.

Impedir que os filhos vejam determinados programas de televisão faz parte de uma prática de muitos pais. Não quero dizer que tudo deva ser liberado. Há realmente situações que, devido a horários, por exemplo, não devem ser acompanhadas. Agora, impedi-los de ter acesso a determinadas informações para poupá-los do mundo é uma ilusão. De um jeito ou de outro, assuntos que muitas vezes o adulto considera impróprios para uma criança ou adolescente já estão na sua cabeça. De que adianta não falarmos sobre sexo, sexualidade, drogas, gravidez precoce ou ainda sobre desonestidade, corrupção e desamores se em pouco tempo iremos cobrá-los por posturas adequadas, saudáveis e bem orientadas?

A escola e a família, mais do que nunca, precisam se unir neste propósito: orientar pelo diálogo, pelo exemplo e pela reflexão conjunta.

Aproveitar as propagandas apelativas, as cenas de filmes e novelas com suas temáticas, os noticiários e os programas que parecem fúteis para inserir os alunos nas temáticas e conteúdos escolares pode ser uma boa maneira de desenvolver o senso crítico e a responsabilidade sobre o que se fala e se faz. A mediação dos professores é por demais importante nesse momento para eliminar preconceitos e julgamentos vagos e trazer à luz a discussão coerente sobre temas que fazem o mundo e que podem ser mais bem enfocados à medida que trabalhamos a informação corretamente.

Só poderemos conhecer melhor nossos filhos e suas indagações se permitirmos que o erro, a dúvida e a crise apareçam dentro de casa.

Assim, eles irão opinar e nós exerceremos o trabalho que compete aos pais: orientá-los e educá-los para uma vida feliz.

A hora é de não condenar e não julgar. A hora é de orientar.