PASSOU O CARNAVAL? O BRASIL VOLTA À TERRA…

Passou o carnaval? Começa o ano, volta às aulas, a economia começa a se movimentar… Mais ainda, é uma nova esperança, uma nova oportunidade para os brasileiros.

No devaneio e na fantasia que envolve todo recomeçar, os sonhos são aceitáveis e a fantasia possível. Assim, pois, em nome desses sonhos e fortalecidos pela ousadia de fantasiar, imaginemos que os professores que terminaram o ano cheios de dúvidas e inseguranças, resolvessem agora, revigorados, começar com nova fé, infinita coragem. Imaginemos ainda que, sem tempo de buscar nos sábios os conselhos corretos, nos educadores do passado as lições inefáveis, resolvessem procurar na farmácia mais próxima uma série de comprimidos e, entusiasmados, descobrissem um vidro de “pílulas para o bem ensinar”. O que conteriam essas pequenas pílulas? Vejamos algumas:

– Faça do saber que seu aluno possui a âncora para os novos saberes a serem trabalhados.

– Relacione os temas de sua disciplina às experiências das emoções ou do funcionamento do corpo de seus alunos.

– Para “guardar elementos na memória de seus alunos” use a coerência, a emoção e a motivação ou, se puder, os três.

– Exercite sempre habilidades operatórias, como analisar, comparar, criticar, relacionar, sugerir e outras.

– Faça seu aluno falar das coisas que aprendeu, com linguagens pictóricas, gráficas, numéricas, mímicas, sonoras e outras.

– Aprender significa sempre reestruturar o sistema de compreensão do mundo. Seu aluno não aprende sem essa reestruturação.

– Vale mais avaliar o progresso do aluno que o volume quantitativo dos saberes que armazenou.

– Apresente os temas sob a forma de desafios, estudos de caso, situações-problema, enigmas desafiadores.

– Nunca apresente ao aluno uma resposta que ele possa conquistar sozinho.

– Ao desenvolver um tema, busque refleti-lo nos objetivos da disciplina e nos da educação integral. Ensine a transferência da solução de um problema para a solução de outros problemas.

– Ao trabalhar um tema, experimente ir do começo ao fim e depois, através de uma engenharia reversa, voltar do fim para o começo.

– Ao analisar um tema, divida a turma em três níveis decrescentes de dificuldade; os alunos que têm menos dificuldade ajudam os que têm mais.

Converse, interrogue, entreviste, indague, pergunte tudo que puder aos alunos e, dessa maneira, resgate o universo vocabular que, então, passará a usar.

O mais provável é que o professor, esmagado pela quantidade enorme de aulas a ministrar, prisioneiro de uma rotina que acredita difícil de ser vencida, angustiado pelos diários de classe infinitos e pilhas de provas que se acumulam, atire para o fundo de uma gaveta as pílulas adquiridas no novo milênio e delas somente se lembre ao preparar sua “declaração de princípios” para o ano que, daqui a um ano, vai nascer outra vez. Mas, se usá-las, ainda que apenas algumas, certamente eufórico com os resultados, irá consultar sua bula e surpreso descobrirá que foram tecidas nos sonhos e nas palavras de Perrenoud, Piaget, Rousseau, Paulo Freire, Darci Ribeiro, Maria Montessori, Howard Gardner, Sócrates, Platão, Aristóteles, Sêneca, Quintanilianus, Santo Agostinho, Plutarco, São Francisco de Assis, Leibniz, Kant, Herbart, Schopenhauer, Kierkegaard, Koling, São João Bosco, Friedrich Nietzsche, Steiner, Buber, Neill, Flanagam, Makarenko e muitos outros professores, muitos outros sonhadores.