A FELICIDADE É A PRÓPRIA ESTRADA

Não mais vejo as crianças do prédio em que moro brincarem na rua.

Não existem mais ruas de antigamente onde meninos empinavam papagaios, jogavam bolinhas de gude ou nas mesmas se aventuram com os seus carrinhos de rolimãs. Não mais existem nos pátios dos apartamentos meninas brincado de casinha, conversando com a Barbie ou servindo pratos requintados de delícias de mentirinha.

O mundo muda, o tempo passa e com ele também muda a escola e, assim, já não existem mais lousa, giz e apagador, alunos sentadinhos em carteiras enfileiradas, lições de casa e professores detentores do conhecimento e do saber. Não mais vejo alunos comprometidos com o silêncio sepulcral, não existem mais mestres especialistas em disciplinas escolares únicos, cujos conteúdos jamais conversavam entre si. O mundo muda, o tempo passa e com ele também muda a escola…Espera!

Que história mais maluca é essa? Como abolir nas escolas tudo quanto, em quase todo o país, constitui a essência de sua maneira em se auto definir?

Peço desculpas… neste meu devaneio incorri em erro e, mais que depressa e humilhado, reconsidero o que acabo de escrever. No nosso país, com raras e admiráveis exceções, ainda predomina de forma esmagadora a escola da lousa e do giz, de alunos em carteiras enfileiradas, lições de casa e muitos professores que ainda se alardeiam detentores do conhecimento e do saber. Mas, como é sobre essas raras e admiráveis exceções que minha triste crônica busca retratar, que nos orgulha saber que também por ali e por aqui, quase escondidas na anomalia da raridade, existem escola que, em sua essência, pouco diferem das que são rotinas habituais em países onde a Educação seguiu o caminho dos tempos e deixou para trás velharias escabrosas.

Nesses países, a tecnologia passou a representar a ferramenta imprescindível, e tal como nas oficinas e nos consultórios, percorre caminhos que sinalizam o amanhã com sinceras esperanças. As salas de aulas perderam discursos e ganharam mestres que desafiam, sugerem, propõe e encaminham crianças e jovens para a serenidade de um novo amanhã. São instituições de ensino, públicas ou privadas, com turno integral e com aprendizagem e mais de uma língua, os alunos passam aulas e mais aulas na entusiástica exploração cerebral que resolve problema, busca soluções e trabalha o pensamento sistêmico e o empreendedorismo. Os alunos, em casa, não se preocupam com lições a memorizar, mas assistem nas telas aulas desafiadoras gravadas e conversando no smartphone buscam consolidar com seu grupo de trabalho os projetos que no dia seguinte, em aula, serão levados aos desafios que estimulam seus raciocínios lógicos, afiam suas habilidades emocionais e interligam o saber e descobrem que interdisciplinaridade não é ação acadêmica, mas maneira de pensar e ver a vida, que se retrata em todos os filmes de ficção que se assistem, em toda relação humana que se preza.

Como velho professor que se sente perplexo diante do contraste chocante entre as escolas para quase todos e outras apenas para alguns, encanta-me a certeza de que a única alternativa para a harmonia do progresso é a juventude de nossos professores e professoras.

Somente a juventude confia e busca a mudança, mas a juventude admirável que existe em qualquer idade. Por acreditar nessa juventude ouso pensar como Bob Dylan “A felicidade não está na estrada que leva a algum lugar. A felicidade é a própria estrada”.