QUESTÃO DE GÊNERO

Discute-se de forma inútil e estéril se o novo Governo brasileiro deve compor seu ministério com mulheres ou não, mostrando-se que uma eventual exclusividade masculina ou feminina seria prova de discriminação quanto ao gênero. Impossível pensar em tolice maior e quem quer que viva o cotidiano “chão da escola” sabe que é este um assunto antigo e que tanto em escolas públicas como particulares sempre se debateram sobre a capacidade do homem ou da mulher, do professor ou da professora, jamais faltando os que tentavam ver nessa composição docente uma prova de sabedoria.

Inexiste a real dimensão para essa bobagem. Preconceito mais enrustido para tal equívoco.

A tarefa docente, para qualquer gênero, se inspira essencialmente em dois fundamentos: competência e dedicação e quando estes atributos se fazem presentes, discutir qual gênero o exerce de forma superior representa discussão estéril e, o que é pior, preconceituosa.

Fui professor em escolas públicas e particulares da Educação Infantil ao Ensino Superior, em entidades públicas e particulares e foi também feito diretor em instituições de toda natureza. Por muito tempo convivi e lutei contra as tolices de se atribuir a um gênero predicados de qualidade maior. Tive professores de Educação Infantil maravilhosos, verdadeiros mágicos na arte de encantar e transformarem informação e conhecimento, como também contei, ministrando aulas apenas para meninos, maravilhosas professoras de Educação Física. Convivi com excelentes professoras em Cursos Superiores, não raramente ministrando Ciências Exatas, da mesma forma como conheci mulheres exemplares no ensino de disciplinas técnicas, como por exemplo, mecânica ou computação e, de igual forma, tive professores excelente em aulas de culinária e até mesmo de bordado.

Nunca deixaram de se fazerem imprescindíveis ainda que sempre causassem o espanto de serem vistos como que em “atividades erradas”; isso é preconceito, visão míope, tendência a olhar o amanhã com olhos de ontem. Se o Brasil puder contar com umas vinte Ângela Merkel, por exemplo, em seu ministério será um país melhor e mais sério e nada confirma com maior ênfase essa tese que termos atravessados períodos críticos e que nos faz pagar preço caríssimo, tanto quando governado por homem, como por uma mulher.

O país e a nossa educação necessitam, depressa, descobrir que competência e dedicação, dignidade e profissionalismo é questão de caráter, não de gênero.