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CELSO ANTUNES
EDITORIAL Agradeço aos professores de minha Terra poder viver com alegria e vigor o mais intenso e frutífero outubro desta minha caminhada de palestrante. Mês de muito trabalho, mas de muitas alegrias também, expresso meus agradecimentos e saudade aos professores que compareceram ao belo evento realizado na Casa dos Livros (SP), para depois correr até Fortaleza (CE) participante de um Congresso da Futuro Eventos e voltar, apressado, para Ribeirão Preto (SP), onde os amigos da Conexa promoveram Congresso também de fantástica dimensão. Estive depois, como sempre, no Canal Futura (RJ) com uma equipe que quanto melhor conheço mais admiro, voltei para São Paulo para encontro com Educadores na Editora É Realizações e, amparado pelo Grupo Positivo, corri (e como corri) até a sempre querida e carinhosa Campos dos Goytacazes (RJ), cidade que fez cidadão emérito. Ainda outubro não terminara e eu já seguia para Lins (SP), deixando-a para, ansioso, descobrir o abraço inesquecível dos educadores de Muriaé e região (MG), sobrando tempo, ânimo e alegria, ainda no mês, para Barueri (SP), Blumenau (SC) UNIMED – pedacinho de Amsterdã brasileiro e alemão – Santa Cruz da Esperança (SP) e terminar o mês abraçando Curitiba (PR), e gravando com meus amigos queridos do Portal Positivo. Muito agito e alegria ainda maior. SEU FILHO NÃO LARGA O VÍDEO-GAME? PARABÉNS. Seu filho ou sua filha é daqueles que parece ter nascido “grudado” aos aparelhinhos eletrônicos? Parece esquecer o mundo, envolvido em jogos e mensagens e não imagina castigo maior que sua supressão ainda que por alguns segundos? Então, parabéns. Parabéns porque você integra parte expressiva da população brasileira que pode viver os deleites do consumismo e porque os jogos eletrônicos são essenciais para estímulos das inteligências e para a autoeducação emocional e preparo para o domínio das competências, tema que hoje mais se comenta quando se fala de Ideb e, mais tarde, do Enem. Ambiente desafiador de simulação e de representação de papeis e, ao mesmo tempo, veículo de introspecção pelo tempo abstrato exigindo de seus participantes controles sobre desafios que a história da vida humana jamais esconde. Mais ainda impõem ações que nem a melhor equipe docente do mundo e reunida em uma escola poderia ousar. O jogo sugere ações contínuas de “transferências” e de nada vale aprender, se não transferimos o que aprendemos, aguça a sensação de “feeling” indispensável até para atravessar uma rua, mostra que o erro é elemento integrante e essencial no processo de aprendizagem e combinando admiravelmente a intuição com a distração causada pelo descuido, exercita a prática da experiência, processo crucial na avaliação significativa de toda aprendizagem que se afirma essencial. Mas, essa qualidade que aula expositiva alguma pode igualar, ainda é pouco diante de outras competências que o jogo eletrônico faz brotar: É com essa ação tão comum e tão insistente que a criança aprende e decide a agir, usa análise e síntese em cada instante e no mesmo momento compara, classifica, sintetiza, organiza e, falando consigo, generaliza somente quando é possível generalizar. Pesquisa com ousadia em cada segundo se envolve a riscos sem qualquer risco, constrói significações e pensa significados, se emociona e se encanta e distanciando-se dos pais não os incomoda, não reclama pelo sorvete, não interrompe conversas sérias de adultos e liberta a imaginação, dispensando os pais de reclamar de como em seu tempo imaginava. Portanto, se você percebeu ironia no título, esqueça-a, pois são realmente sinceros os parabéns. Mas, como de qualidade de vida para a criança nesta crônica se fala, desnecessário agregar o que todos sabem sobre o valor da boa alimentação, da prática de esportes, da exploração de linguagens e de passeios – reais ou virtuais – por exposições, participação em olimpíadas, envolvimento em torneios e mais, muito mais. Caberia até mesmo exaltar a qualidade da couve e mencionar que faz bem à digestão, é comprovadamente anti-inflamatória, cicatrizante, e antioxidante. Não estraga a mastigação, é riquíssima em ferro tão essencial ao crescimento, previne anemias e é fundamental para transportar oxigênio para as células, agregando a isso tudo o imprescindível cálcio e o alto teor de fibras. São tantos os atributos desse vegetal tão português e tão comum, que mamães e papais poderiam pensar em administrar couve para seus filhos no café da manhã, na exclusividade do almoço, sob a forma de sopa no jantar e, é claro, no lanche esperado em boas cantinas escolares. É nessa hora que você, com bom senso, protesta e mostra que é excelente, mas consumo exagerado é doidice. É mesmo. Tanto para a couve quanto para os jogos eletrônicos. Tal e qual e, por essa razão, não esqueça a couve, mas, por favor, não exagere omitindo outros alimentos; não se empolgue com jogos eletrônicos lembrando-se de que são realmente úteis, como também o é a prática da natação e do futebol, do bate-papo e da corrida, da praia e da montanha. O mal não está no bom e gostoso jogo eletrônico e não está na gostosa e saudosa couve de antigamente, mas na exclusividade de seu uso, no exagero doentio de qualquer prática que transforma educação em vício.

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