PRINCÍPIOS GERAIS QUE SE DEVE LEVAR EM CONTA AO EDUCAR CRIANÇAS

Independe das ideias e propostas que para capítulo diferente serão apresentadas, existem alguns princípios que devem estar presente qualquer que seja o valor ou a virtude que se busca trabalhar. Portanto, pais ou professores devem sempre levar em conta que:

 

  1.   fO melhor mestre é sempre o exemplo. Toda criança, mesmo quando não demonstra, é capaz de perceber a contradição entre o que se diz e o que se faz. Se não resistir a tentação de fazer algo diferente do que prega, faça-o longe dos olhos da criança;

 

  1. Nunca compare a capacidade de aprendizagem de uma criança com outra. No cérebro humano existem cerca de duzentos bilhões de neurônios que recebem de mil a dez mil sinapses, emitindo axônios que se ramificam e comunicam uns neurônios com os outros. Esperar que existissem dois cérebros iguais é absolutamente impossível, por isso jamais perca de vista as limitações de cada criança, nunca acreditando que uma aprende igual outra ou avaliando crianças diferentes com instrumentos comuns.

 

  1. reading-2_thumbAprenda a “ler” a maneira e o jeito próprio de ser das crianças com a quais trabalha. Descubra suas facilidades e suas dificuldades, veja-as lidando com suas palavras ou com a experiência proporcionada, descobrindo quanto se sentem frustrada ou quando se descobre orgulhosa de si mesmo. Faça dessa leitura uma “ferramenta” para opinar, sugerir, desafiar, brincar;

 

  1. Não se deixe levar pela ilusão de que tudo que a criança aprende ela pode verbalizar. Sinta-se um (a) educador (a) de sentimentos e, portanto, não se preocupe se a criança pode ou não repetir com palavras os ensinamentos passados. Valorize mais o conhecimento e as ações geradas pelo mesmo, que a capacidade de reter informações e repeti-las quando perguntado;

 

  1. 2706780252Saiba que estímulos em demasia funcionam como desestímulos. Cuide sempre de perceber se a criança quer aprender, sente prazer em brincar e nunca ultrapasse o limite de tempo de forma a leva-la a saturação. Pergunte sempre se quer continuar e pare quando ainda descobrir que sobra um gostinho de querer mais;

 

  1. Conheça a si mesmo para não fazer da criança sua imagem e sua semelhança. Aprenda a descobrir o encanto que reside em sermos diferentes e jamais faça de um filho ou de um aluno o que a vida e a experiência não fez em você;

 

  1. menina-brincando-com-blocos-de-montar-74700Considere sempre o “estilo” de aprendizagem de cada criança e nunca generalize ações. Alguns se sensibilizam mais com histórias que com jogos, outros preferem o caminho do riso que a emoção do entusiasmo. Uma boa educação infantil consegue ser “única”, mesmo que para muitos.

 

  1. Considere sempre o ambiente e o “clima emocional” em que se desenvolvem as atividades educativas. O que vale não é uma sala maravilhosa, cheia de brinquedos e uma mensagem vazia, marcada pelo tédio, pressa e precipitação, mas a capacidade emocional de fazer de cada cantinho um verdadeiro mundo encantado de faz de conta. Pense que seu momento com a criança não combina com celular ou TV ligada.

 

  1. Não restrinja a ação educativa a horários fixos. É importante que a criança perceba que existem momentos para brincar e momentos para comer, como existem momentos para dormir e outros para passear e, portanto, reserve um tempo de dez a vinte minutos por dia para a “hora do faz de conta”, mas lembre-se que nos passeios, nos bate-papos e em outras oportunidades é sempre válido o reforço da lição passada, através do comentário amigo, da observação atenta, da boa anedota na boa hora;

 

  1. crianca-de-castigo-620x413Não pense que o castigo deseduca. Jamais é possível aceitar-se sejam quais for às razões, o uso da força para obrigar uma criança a fazer ou não fazer algo, mas se qualquer palmada constitui agressão injustificável, é importante que a criança descubra que a vida é cheia de regras e que a infringência desta ou daquela envolve sanções. Ficar um ou dois minutos (um minuto para cada ano de vida é uma boa média) sentado sem poder fazer nada porque se agiu contra as regras combinadas ou ser levado embora de uma festa porque não está sabendo se comportar, não faz com que qualquer criança cresça odiando o pai ou a mãe e mostra-lhe que a vida é formada de causas e de consequências e que boas ações merecem elogios ou recompensas e atitudes negativas implicam em algum tipo de preço.

 

  1. Seja um excelente ouvinte e não espere a criança demonstrar vontade de falar. Carregue sempre uma porção de pontos de interrogação e coloque-os em toda oportunidade. Toda criança que desenvolve a curiosidade, aprende a ser criativa e inteligente e não existem bons educadores que não tenham educado seus ouvidos a serem empáticos.