POR QUE EXISTEM ESCOLAS?

escolaEscolas existem no mundo inteiro. Com variações, que envolvem bem mais os recursos do que se faz que propriamente a maneira como se faz, existem escolas no ocidente e no oriente, em países democráticos e em outros de marcante pressão ditatorial. Essa presença e uniformidade internacional da escola é, no mínimo, surpreendente. Não      seria possível imaginar país onde os familiares fossem a única transmissora da herança cultural? Seria absurdo pensar que em outro, sábios conselheiros via Internet, se encarregassem de transmitir os postulados necessários para se bem viver? Claro que não! A escola é imprescindível da maneira como está instituída e é por esse motivo que dessa mesma forma está em toda parte instituída.

Mas, vale a pena insistir: Por que a escola, da forma que é, é imprescindível! Será realmente ou representa uma convenção e simples desejo de manter nos tempos de agora o que em outros tempos se fez? Não, rebaterão muitos. A escola é imprescindível porque a Declaração Universal dos Direitos do Homem diz em seu artigo 26 que toda pessoa tem direito à educação e que esta deve objetivar pleno desenvolvimento da personalidade humana e ao fortalecimento do respeito pelos direitos do homem e suas liberdades fundamentais. Além disso, prescreve que a educação deve favorecer a compreensão, a tolerância e a amizade entre todas as nações e todos os grupos raciais ou religiosos. Perfeito, se a escola existe por esses propósitos e se são eles essenciais para uma cultura de paz, tudo bem. Entende-se as razões do existir da escola e a essência incontestável de sua importância.

imagesMas, sobra uma pergunta: A nossa escola está efetivamente cumprindo esse desígnio? Efetivamente trabalhamos o pleno desenvolvimento da personalidade de nosso aluno? Favorecemos em nossas aulas, em todas elas, ações concretas que conduzam a compreensão, tolerância e amizade?

Se a resposta é afirmativa, por favor, chamem-me depressa. Necessito do alento dessa descoberta; tenho fome e voracidade em conhecer uma escola com essa plena e incontestável razão de existir. A maior parte das que conheço, estão bem mais preocupadas em transmitir conhecimentos, ministrar conteúdos, adestrar habilidades que, efetivamente, desenvolver ações que possam estruturar personalidades, favorecer a compreensão e a tolerância e ensinar a fazer amigos. Não grifamos duas vezes a palavra “ações” por diletantismo. Achamos que “ações” são coisas diferentes de “conselhos” e nossa pergunta firma-se nessa diferença. Que hoje ou ontem, aqui e ali, nesta ou naquela aula, o professor possa ministrar conselhos que pretendam conduzir a estrutura integral da personalidade, não duvido. O pedido para que me chamem é, realmente, para observar e aprender com os professores ações concretas, exercícios de desenvolvimento da personalidade, projetos que ensinem a fazer amigos, alfabetização emocional que trabalhando relações humanas possa realmente favorecer a compreensão e a tolerância.

 Mas, seria isso possível? De que maneira os professores poderiam se engajar em um trabalho que, junto com os temas conceituais que pensam ensinar, poderiam efetivamente trabalhar as razões cruciais de a escola existir?

A resposta não é difícil, ainda que não possa ser a mesma para toda parte. Um trabalho consciente jamais se distancia da contextualização desses valores à realidade do aluno e esta varia de um ponto para outro. O que fica de unidade nessa esperança, é que as escolas que se reconstruíram na busca desse novo ensinar, o fizeram após discussões e reflexões de sua equipe docente. Nada de importar modelos, ainda que os estudos dos mesmos sejam imprescindível, desnecessário clamar para que o Estado faça pela escola o que sua equipe, muito melhor que ele, pode por ela fazer. Exemplos expressivos de inclusão, práticas de relações interpessoais, estratégias múltiplas de educabilidade emocional estão sendo experimentadas em muitas partes e, ainda que possa existir uma dispersão em termos dos caminhos procurados, descobre-se a firme unidade na procura.

Unidade que pouco a pouco se constrói com uma equipe de professores que almejam, sobretudo porque aprenderam a amar sua profissão, dar dignidade a sua função e acreditar que se um amanhã melhor desejamos, em nossas mãos e de nenhum outro profissional com tal intensidade, existe a certeza de que basta querer.