PENSANDO NO DIA INTERNACIONAL DA MULHER

Não é lá muito antiga a convicção de que as mulheres são tão capazes quanto os homens e fazem tudo tão bem quanto eles. Na maior parte dos casos possuem força física menor, mas têm um papel significativo na reprodução da espécie, que para os homens é quase supérflua. Desde há muito essa consciência era nítida entre os homens que jamais a admitiam publicamente, mas sempre as expunham menos aos riscos da guerra. Se perdas são inevitáveis que se perca o que possui valor menor. Mas, se é assim como explicar durante séculos à subordinação feminina?

Uma boa explicação, acreditamos, é as mulheres conscientes de sua superioridade terem se tornado voluntariamente cúmplices da própria submissão, pois esse papel convinha às sociedades em que as crianças eram recursos imprescindíveis ao futuro e exigiam força de trabalho inteligente em cria-las. Na prática, a liberação da Mulher para outras funções ganhou impulso nas sociedades industrial e pós-industrial e desde então em todas as funções o espaço feminino se amplia e se constata sua inefável superioridade. Mas, não seria essa afirmação um preconceito ao avesso? Existe maneira de prova-la?

Temos plena convicção que sim e rápido exame sobre a importância do cérebro para tudo que se inventa ou descobre e a oposição entre as lateralidades esquerda e direita são fatos impossíveis de se negar. Os homens, sempre e em toda parte sempre contaram com a dominância do lado esquerdo caracteristicamente verbal e analítico, simbólico e abstrato, temporal e lógico, enquanto que nas mulheres a predominância do hemisfério direito destacava aspectos concretos e sintéticos, perceptivo e configuracional, analógicos e intuitivos.  Essas duas metades do cérebro percebem a realidade de maneira diferente e fundamentam relações interpessoais de forma divergente. Por muito tempo se insistiu que uma mistura homogênea dessas funções seria o ideal, mas a neurologia comprova que isso não é verdade.

A condição verbal e analítica do cérebro explica a prepotência e a competição egoísta e conceitos de mundo simbólicos e abstratos estão na base da utopia inalcançável e da ambição desmedida. Os homens sobrepõem a urgência à paciência e sua ideia de exatidão não admite oposição senão pela guerra e pela força bruta. As mulheres, ao contrário, possuem estruturas cerebrais que exaltam a clareza da objetividade, a força da percepção, a sensibilidade estética e argumentação que virá às costas as armas e bordoadas. Não é por outra razão que as mulheres sonham sonhos plausíveis, plantam sementes de esperança e suas ideias estão na base do amor e da sustentabilidade, da beleza e da esperança. A divulgação dessa certeza não é, sabidamente, política e bem mais afável seria esconder evidências e proclamar a harmonia entre seres diferentes, mas igualmente essenciais. Pura balela. A ciência existe em função de fatos e realizações humanas mostram o lado esquerdo associado ao terrorismo e exclusão, violência e ambição se opondo a um lado direito intuitivo e sonhador que planta a paz, mesmo quando botas teimam em pisoteá-las.

Bem sei que esta crônica não é nada simpática aos homens e não duvido que segundo sua forma única de refletir alguns bem que gostariam de cobrir de socos e desafios ao seu autor. Consola-o, entretanto, a esperança de que ao lado desse dinossauro possa sempre existir uma Mulher destacando o quanto de tolice e de criancice predomina nessa convicção. E pretextando a essencialidade da compra de mais uma bolsa, docemente arrasta seu buldogue de estimação ao shopping mais perto.