ORGANIZAR: UMA FORMA COERENTE DE ENSINAR

Faça com seus alunos uma experiência simples. Divida a turma em dois grupos e proponha a memorização de vinte palavras. O primeiro grupo, observará as palavras escritas por alguns cinco da lousa, o segundo grupo também. As palavras são idênticas para os dois grupos, mas foram arrumadas de forma diferente.

Para o primeiro grupo se escreveu, por exemplo, VERDE, CAMISA, CAJU, ALICATE, CALÇA, AZUL, ABACAXI, SERROTE, GRAVATA, LENÇO, VERMELHO, ACEROLA, PICARETA, MORANGO, AMARELO, PRETO, MEIAS, ENXADA, GRAVIOLA, MARTELO.

Para o segundo grupo, escreveu-se:

PEÇAS DE ROUPA: CAMISA, GRAVATA, LENÇO, MEIAS, CALÇA.

FRUTAS: ABACAXI, MORANGO, GRAVIOLA, CAJÚ, ACEROLA,

CORES: VERDE, AZUL, VERMELHO, AMARELO, PRETO

FERRAMENTAS: ALICATE, SERROTE, PICARETA, MARTELO, ENXADA.

Depois de uma ou duas semanas, escolha alguns alunos de cada um dos dois grupos e verifique quantas palavras foram memorizadas. O resultado é espantoso, pois embora os alunos apresentassem igual nível e as palavras fossem as mesmas, os do segundo grupo guardaram bem mais palavras, com menor esforço. Não existe qualquer segredo nessa capacidade maior dos alunos do segundo grupo: Enquanto para os primeiros, as vinte palavras foram apresentadas de forma caótica, para os do segundo grupo, foram as mesmas classificadas, isto é, organizadas em categorias.

Sempre quando buscamos informações guardadas em nossas memórias, estas reclamam por uma organização que quando não existe dificulta de forma extrema a retenção dos saberes. A breve experiência serve apenas para ilustrar a facilidade com que a mente acessa informações organizadas e, ao mesmo tempo, a dificuldade com que a falta de organização de temas, se apagam na lembrança, mas para muito além da experiência importa destacar como a tarefa organizacional desenvolvida pelo professor é essencial para a compreensão dos alunos.

Vivemos em um mundo pleno de informações. Ao contrário de há algumas décadas quando os poucos saberes dos alunos eram os que obtinham das aulas ouvidas e livros procurados, o aluno de hoje recebe avalanches de informações de toda parte, de todo tipo, em todos os minutos. Se não aprendem na escola a organizar essas informações, selecionando as essenciais das dispensáveis, as úteis das inúteis, acabam esquecendo-as, da mesma forma como os alunos do primeiro grupo acima esqueciam mais rapidamente as palavras que tinham olhado.

Hoje em dia, qualquer professor pode sentir-se liberto de levar informações específicas a seus alunos. Deve, ao contrário, solicitar aos mesmos que as busquem nas muitas mídias que os cerca e, com essas informações trazidas, deve iniciar serenas explicações sobre como selecioná-las, como organizá-las. Assumindo esse papel diante dos alunos, não se assusta com diferentes níveis de saberes em classes multisseriadas e, mais ainda, está desenvolvendo competências em seus alunos, transformando informações em conhecimentos.