O JOGO DE PALAVRAS E O ENSINAR A PENSAR

  • Existe a possibilidade de se ministrar um tema de História ou Geografia, Matemática ou Ciências, Língua Inglesa ou Portuguesa sem ficar à frente da classe expondo e, dessa forma, impondo a monotonia e o cansaço?
  • Pode esse tema, posteriormente avaliado, garantir maior compreensão e lucidez por parte dos alunos, dos temas que se ministrado através de aula expositiva?
  • É possível na regência dessa aula, conquistar a certeza de que sua apresentação não suscitará indisciplina, desinteresse e apatia? Pode esse tema garantir ao professor menos dispêndio de energia que o imposto por aula tradicional?

As respostas a essas perguntas são afirmativas e, ainda de quebra, a ela outras conquistas positivas se agregará. Assim…

Será possível com esse trabalho alcançar não apenas as disciplinas acima relacionadas como outra qualquer, poderá esse trabalho, devidamente adaptado, ser executado em qualquer série ou nível de escolaridade e, bem mais que apenas uma compreensão literal do que se expõe, se garantirá trabalhar-se simultaneamente o texto e  contexto, desenvolvendo do raciocínio lógico e levando os alunos a uma aprendizagem significativa e exploração de habilidades operatórias mais amplas que as provocadas por simples explanação. Portanto, no desempenho desse trabalho o professor poderá estar se aproximando dos sonhos de Piaget, ao levar o aluno não a conquistar um conhecimento interiorizando-o de fora para dentro, mas construindo-o interiormente em um processo de assimilação, tornando o apreendido compatível com as estruturas mentais de seus alunos e, dessa forma, específico para cada um. E tudo isso apenas com a coragem em se substituir uma tradicional exposição por um envolvente e motivador Jogo de Palavras.

Mas, como faze-lo?

  • Em primeiro lugar garantindo que os alunos tenham alguma ideia sobre o tema, conquistada através de uma leitura ou de outro processo de informação.
  • Em segundo lugar, organizando os alunos em duplas, trios ou quartetos e, dessa forma, fazendo-os falar e, por falar estimular as estruturas mentais do pensar;

Por último organizando, com critério e acuidade, uma, duas ou três sentenças sobre o assunto escolhido.

Após a seleção dessas questões, extremamente pertinentes e significativas em relação a essência e objetivos do texto, fragmenta-las separando cada uma das palavras e escrevendo cada palavra em um pequeno quadrado de papel. Mais fácil é quadricular-se uma folha antes, escrever as palavras em cada dos quadrados e somente depois corta-la. Esse emaranhado de palavras, amontoadas ao acaso e unidas fora de ordem compõe o recurso material do “jogo de palavras”.

Com tantas cópias desse material quantas duplas, trios ou grupos se contar em classe, basta entrega-la aos alunos destacando que sua tarefa, à imagem de quem monta quebra-cabeças, será tentar ordenar as frases, emprestando-lhe sentido lógico. Algo, por exemplo, similar que afirmar “É construção coisa não que de, mas fora processo o interativo de um conhecimento vem interior” e que ordenado expressaria “O conhecimento não é uma coisa que vem de fora, mas processo interativo de construção interior”.

Ao se envolverem no desafio que essa atividade abriga, os alunos encontrariam motivação por ver substituída sua postura passiva de ouvinte por ação solidaria de jogador; motivados, não se desviariam da tarefa e, portanto, estriam interessados e disciplinados, o professor economizaria energia pois estaria substituindo tradicional discurso, por ajuda interativa e, essa aula, levaria o aluno a falar, trocar ideias, buscar esquemas de solução e por essas vias pensar, usando habilidades que envolveriam análise e síntese, comparação e classificação, dedução e contextualização. Ao invés de se colocarem de forma passiva diante de um texto, estariam exercitando esquemas de assimilação em atividade pura diante do objeto da aprendizagem, simbolizado pelo texto fragmentado, ao qual buscariam uma estrutura lógica. Nessa atividade o professor transformou texto em contexto, colocou em ação mecanismos de uso dos hemisférios cerebrais direito e esquerdo e, levando a seus alunos jogo desafiador e atraente, através do mesmo ensinou que o novo conhecimento não se sobrepõe aos conhecimentos anteriores, mas a eles se compõe modificando-o.

Apenas uma questão o desafio nesta breve crônica proposto é incapaz de responder:

 

  • Se é assim tão simples descobrir estratégias de ensino motivadoras e capazes de construir significativa aprendizagem, porque permanece tão intocável e imbatível o império da aula apenas expositiva onde se trabalha o conhecimento como “coisa” que vem de fora, como informação com a qual se entulham e desrespeitam cérebros, eventualmente adestrando-os, jamais estimulando atividades concretas e abstratas com o objeto da aprendizagem?