O ENSINO DE VALORES NO LAR E NA ESCOLA: APRENDIZAGEM ESSENCIAL PARA O ALCANCE DAS COMPETÊNCIAS TRAÇADAS PELA BASE NACIONAL COMUM CURRICULAR

Existe, pelo menos, um ponto em que se encontram as ideias educacionais de todas as famílias: todos desejam sempre melhor sorte aos seus filhos, aspiram que alcancem felicidade pela estrada de valores.

Mas, para o bem e para o mal, uma vida pautada pela honra e pela dignidade não é sorte, não se alcança porque por ela se aspira e deseja, mas sim pela educação que a criança e o adolescente recebem. Crianças não matam, não roubam, não violentam e se essas ações para alguns aparecem na vida, por certo houve sério erro na trajetória educacional. Em síntese, princípios morais e valores não se herda geneticamente, se aprende com a educação que se recebe na escola e também no lar. Mas, como ensinar valores? Qual a pedagogia eficiente? Qual método garante a certeza do sucesso?

A resposta, ainda que sabida, não é fácil e nem se deixa iludir pela ingenuidade da síntese.

A formação integral da pessoa humana requer unidade nos fundamentos propostos em todas as etapas da vida e coerência irrestrita entre o que se aprende no lar e na escola, no cinema e na rua, entre os amigos e os programas, nos fundamentos da fé e da filosofia. Nenhuma organização ou instituição isoladamente pode fazer pela criatura o mesmo que a soma desses diferentes e muitas vezes divergentes agentes. Nem, por isso, entretanto, o papel da escola e da família pode ser diminuído, nem pela importância dessa soma é possível esquecer a imensa força de professores e a ação paterna e materna na edificação de sentimentos positivos.

O que esta crônica busca é assim destacar o papel e as ações de formadores para uma educação de valores. Afinal, nunca se fez tão emergente quanto agora os fundamentos éticos, estéticos e políticos assegurados pelas Diretrizes Curriculares Nacionais e de conhecimentos, habilidades, atitudes e valores essenciais para se viver plenamente o século XXI.

O primeiro e mais importante item nessa hierarquia é a cuidadosa seleção dos valores que com a educação dos filhos se pretende incutir. Professores e professoras, marido e mulher, não importa se juntos ou separados, devem assumir com coerência e unidade uma linguagem comum sobre quais valores são importantes na educação.

A relação é extremamente vasta e nem sempre o que uma cultura, fé ou ideologia propaga é idêntico ao estabelecido por outra. Assim, pois, é essencial que os professores, o pai e a mãe, mas também eventuais empregados e outros parentes próximos, saibam no que se acredita e se atribui relevância. Escola ou família que não sabe por quais caminhos pretende levar seus filhos, corre o risco de não os levar a caminho algum.

Estabelecida com firmeza a relação dos valores – da mesma forma como toda grande empresa enfatiza a todos a sua missão – cabe a reflexão sobre em quais momentos e circunstâncias serão esses valores apresentados, propostos, exemplificados, discutidos e materializados. Em conversas informais? Pelas histórias e fábulas que se comenta? Através das boas leituras que se sugere? Ao longo dos inúmeros exemplos que se exalta? Não é fundamental que todas as famílias sigam igual roteiro, mas é imprescindível que esse roteiro de ações exista. É importante enfatizar que a capacidade da mente humana assumir procedimentos positivos é diretamente proporcional a insistência metódica com que são esses procedimentos praticados.

Quando existe firmeza na identificação do quadro de valores a se formar e existe também definição de instantes e atividades para esses exercícios, chega o instante se colocar em prática os procedimentos atitudinais, que pela força do exemplo, são assimilados com persistência.

Quais são esses procedimentos?

Pelos menos três constituem unanimidade entre educadores, nessa ou naquela cultura, neste ou naquele país. São justamente esses procedimentos que caracterizam a linha procedimental e atitudinal do Laboratório de Inteligência Múltiplas, ou mais popularmente o LIM.

Vamos, então, a eles:

– Jamais romper a frequência do diálogo. Nunca se afastar da gostosa rotina de questionar muito e sempre. Ouvir muito mais do que falar, não como quem quer investigar, mas como quem mostra a terna curiosidade de compartilhar.

– Agir com coerente firmeza em se ensinar e se praticar o “não”, mostrando que crescer significa compreender regras e que as assumir é sempre gesto de dignidade e grandeza. É evidente que é bem mais gostoso dizer-se “sim” que dizer “não”, mas não há como esconder que toda excelente educação se fundamenta na coerência de se recusar quando é importante negar. Crianças e adolescentes querem e necessitam crescer com a firmeza da segurança que jamais se confunde com a ilimitada e passiva permissividade de quem tudo cede.

– A esses fundamentos, jamais omitir a sinceridade plena do elogio e reconhecimento por todas as conquistas, ainda que pequenas. Houve um tempo em que se pensou que a alta autoestima se firmava pelo apego à sobrevivência, hoje não mais se ignora que sua base é o orgulho com que se cresce acompanhado por olhares amigos que não deixam de se encantar pelas vitórias, mesmo pequeninas, que em cada jornada sempre se impõe.

Não se trata de questionar se essa linha de ação é fácil ou é difícil, se importa agora começar ou aguardar um pouco mais. Impossível saber como será o nosso amanhã. A única certeza definitiva é de que será da maneira como a escola e a família unida assim o construir.

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