NÓS SOMOS FORTES…

Nós fomos os marinheiros das caravelas de Cabral, marchamos ao lado de Tiradentes buscando um novo amanhecer, nós transformamos o planalto e erguemos Brasília. Nós fomos subjugados, mas derrubamos a escravidão, calamos a ditadura e com ousadia e desvelo plantamos mundo novo nos trópicos tórridos que se acreditava invencíveis. Nós somos realmente muito fortes…

– Mas, quem somos nós? Qual o conceito ou entidade que se abriga na generalização simplista dessa forma oblíqua de um singelo pronome pessoal?

“Nós” é pessoa comum, é o operário do andaime, a enfermeira das madrugadas, o pingente dos ônibus lotados, o professor das salas abarrotadas da pobre escola pública.

– Mas, se esse estranho “nós” possui assim tanta força e em tão pouco tempo tanto pode construir, porque é enganado pelos políticos, roubado pelas ideologias, violentado na simplíssima busca de um direito banal? A resposta todos sabemos.

A força de uma entidade não existe senão em sua união, em um corpo e uma vontade comum que ombro a ombro caminha para frente. Quando a individualidade se soma, as pessoas comuns descobrem continentes, inventam cidades, plantam civilizações…

– Mas, se é assim tão simples o que impede essa união, qual alavanca pode acordar tão essencial força?

A união de pessoas simples não se faz com líderes carismáticos, decretos governamentais, imposição ideológica de partidos políticos. O que pode unir pessoas simples são duas forças latentes que ao se somarem materializam sua força. A vontade imperiosa e uma mensagem essencial. Assim foi no passado, assim aconteceu em toda parte. Quando o imperativo de uma vontade se apresentou e foi concretizada por uma mensagem, derrubaram-se impérios, construíram-se pirâmides, viajou-se pelo espaço e se inventou o computador…

– Mas, o que é necessário para que neste Brasil de agora tão perplexo por tanta vergonha, essa vontade se faça e essa mensagem se materialize?

A crença de que algo, agora, precisa ser feito e alguém que possa com serenidade e certeza assumir esse papel. Que esse alguém possa atuar em todo canto, emergir em qualquer parte, que se faça presente à criança ribeirinha, o aluno da favela, aos garotos de rua e as crianças de condomínios horizontais, transmitindo a mensagem de que somos fortes se unidos, somos imbatíveis quando solidários…

– Mas, se a necessidade é imperiosa e a vontade imediata e se existe a mensagem, quem pode simbolizar essa ação, transformar esse momento? Qual profissão, qual função precisa acordar-se com a certeza de que não mais se pode esperar acontecer?

Essa profissão existe e se apresenta em toda parte, é a única que plantando o amanhã, modela com seus dedos a certeza do futuro. É o professor e, quem mais, poderia ser? Nem mesmo existe necessidade de resposta, quando se tem a convicção de um papel.

É chegada a hora da vontade construir a mensagem e com a mensagem revolucionar o amanhã.