LOUSA, LÁPIS E CADERNO…

Poucas palavras que indicavam objetos usados antigamente ainda possuem lugar no dia de hoje. O fenomenal avanço da tecnologia não apenas trouxe uma enxurrada de novas palavras como, sumariamente, sepultou uma porção de outras. Mas, entre os que sobrevivem – e já são bem mais que centenários – os mais comuns nas escolas de toda parte são as palavras como lousa, lápis e caderno que, embora com tímidas diferenças, separem esses objetos antigos dos que os novos que agora alcança sala de aula.

Não há criança que não saiba qual o significado desses vocábulos, não existe avô ou avó que ao ouvi-los demonstrem desconhecimento. Mas, se esses recursos são antigos não significa que não possam ser usados atualmente, mudando apenas o velho quadro-negro pela lousa eletrônica, os antigos cadernos pelos tabletes ou computadores e o lápis pelo toque digital. Assim o que nesta sumária crônica se busca mostrar é outras novas maneiras de se fazer uso desses recursos para que se produza aulas que encante crianças de agora, como antigamente fascinavam crianças que envelheceram.

Para que tal ocorra é essencial que a sala de aula disponha de lousa digital e que cada carteira ou para cada dois ou três alunos se conte com a disponibilidade de um computador. O passo subsequente é o professor dominar o manejo dinâmico de sua lousa e conhecimentos básicos sobre o que significa “projetos” e qual a forma de desenvolve-lo em aula. Para que isso se concretize importa destacar que não existe um projeto escolar que não se esteja apoiado em um objetivo claro e sabido por todos, não abrigue conteúdos conceituais a se atribuir significações e que explore e se conheça competências e habilidades que a aula estimulará.

Com os recursos disponíveis e a cabeça do mestre consciente dessas metas, a lousa digital funcionará conectada aos computadores que possibilite a navegação pela internet. Com essa disposição, uma breve e desafiadora proposta do professor, amparada em perguntas criativas e que sempre ligam os conteúdos à vida e ao entorno, sugere buscas e caminhos que os alunos, navegando, se agitam em procurar. Junto com os desafios o professor marca o tempo limite e percorre carteiras oferecendo propostas aqui, mostrando alternativas ali.

Esgotado esse momento, seleciona as respostas mais coerentes e os alunos que a elas chegaram são convidados a traze-las para à frente. A lousa eletrônica assim, com o breve esquema desafiador no instante em que a aula começou, vai progressivamente se modelando e se esculpindo com inclusões inseridas e trazidas pela participação coletiva. Quando a “aula”, portanto, ficar pronta, plena de objetivos, conceitos, competências e habilidades cabe agora e envolvendo a turma inteira o trabalho conjunto de “arte” e, que todos são agora convidados para mudar cores, destacar, sublinhar, desenhar ou incorporar imagens.

Essa aula, depois de pronta, pode ser guardada e compartilhada e via e-mail os alunos farão suas lições agregando acréscimos, sempre orientados pelos desafios do professor. Desta forma, o mestre conclui sua aula “não dando o peixe, mas verdadeiramente ensinando o aluno a pescar”, lousa e computador se transformaram em “máquinas de motivação” e a classe quase sem perceber viveu momentos intensos de socialização essencial para a felicidade pessoal e imprescindível para a vida profissional. A modernidade na aula não dispensou a lousa, o aluno não abdicou do lápis e seus esboços e rascunhos falam dos caminhos que percorreu pela aula que, em seu computador, receberá com desafios propostos pelo professor e soluções socializadas pelos alunos.