INTELIGÊNCIA EXISTENCIAL DESDE O BERÇO

Como antes se comentou o estímulo a Inteligência Existencial é possível ao ser humano antes mesmo do nascimento. Por volta da 24ª. semana de gravidez o sistema auditivo do futuro bebê já se formatou de maneira quase completa e assim a mãe que “conversa” com seu ventre, em verdade está falando para um ser em formação que já a escuta. Se esta fala é meiga, alegre, sem compromisso de um tema, mas o carinhoso balbuciar que toda mãe apaixonada fala para o filho, este entre ainda não compreende o sentido da mensagem, mas capta admiravelmente o tom da voz, a meiguice da fala e, depois, quando nasce e sai de um ventre silencioso para o barulho agitado de uma maternidade ou mesmo um lar, tranquiliza-se ao ouvir no ninar de sua mãe um som que lhe é familiar.

 

Mas, como na fala da mulher, em geral, predomina sons agudos, também a fala do homem que reitera a afetividade da fala materna reafirma a tranquilidade e resgate de sons carinhos em uma memória ainda em formação. Nesse sentido, essas conversas – não mais de dez minutos por dia em horários calmos e alternados – do pai (ou companheiro) e da mãe atuam sobre a mente, exercitando a plasticidade e trazendo serenidade maior ao bebê que demorará por certo muito tempo para compreender o significado da fala, mas identificará o som tranquilizador dessa doce lembrança. Se essa ação breve, ainda que frequente, ajuda bastante, não é difícil imaginar sua importância nos primeiros anos de vida.

 

Assim, a educação existencial nada mais é que a conversa, sem preocupação de sentido, mas plena de afeto, revestida de ternura, expressiva em compaixão. Estudos realizados, sobretudo durante a 2ª. Guerra Mundial, com crianças órfãs destacava a imensa carência desses tempos de fala e de atenção. Muitas destas, atendidas por organizações humanitárias, dispunham de abrigo e alimento, mas geralmente carregam por toda uma existência o amargo preço de silêncio, dessa árdua perda de “monólogos” cheio de ternura.  Com o passar dos anos poucas ações a essas se acrescentam, mas que não se creia que por serem poucas não abrigam uma expressão formidável. Toda criança mereceria passar seus anos antes da escola formal em ambiente de afeto, espaço de calor humano, sentimento de ternura que recebe de todos quantos com ela se relacionam. Mas, se a fala carinhosa é imprescindível para uma estrutura cerebral onde cresce uma inteligência existencial, a essa fala e conversa é importante agregar o toque, o abraço, o colo, enfim, a materialização do sentimento de proteção essencial a todo crescimento. Somente quando a criança chega aos cinco anos, como se viu anteriormente é que chegado o momento crucial de um trabalho e estimulo existencial mais intenso.

Trecho do livro Inteligência existencial e prática de valores no lar e na escola