INCLUSÃO

Uma das maiores dificuldades para que professores desenvolvam com plenitude e grandeza a ideia da inclusão é, por incrível que pareça pensar que gatinhos e cachorrinhos por serem pequenos e frágeis são iguais. Não são. Pertencem a espécies diferentes, trazem em sua estrutura corporal e cerebral necessidades nada familiares e, assim, pretender que o gatinho possa um dia latir não é apenas difícil. É impossível. Da mesma forma, pensar que uma criança portadora de alguma deficiência mental seja igual à outra e possa assim alcançar níveis mentais que outras alcancem constitui um sonho tão impossível quanto o de se desejar que felinos se façam caninos. É por essa razão que a presença de uma criança, ou mesmo um adolescente que necessite ser incluída necessita ser precedida de pequenas mudanças, mais difíceis por se distanciarem do que estamos habituados a fazer, que propriamente por exigir esforços ou sacrifícios. E quais mudanças seriam essas:

  1. Mudar o conceito de avaliação do aluno:

Alunos sem problemas de inclusões podem ser avaliados por paradigmas comparativos e, assim, a nota cinco, por exemplo, vale tanto para a Luciana quanto para o Ricardo desde que estejam na mesma sala. Esses paradigmas, entretanto, não podem sequer serem imaginados por uma criança que necessite ser inclusa e, portanto, a única comparação que pode ela fazer é em relação a ela mesma e, portanto, se está progredindo, ainda que não importe o quanto. Subir um degrau para um atleta é bem mais fácil que para uma pessoa com deficiência motora, mas a ascensão de um para um pode valer muito mais que a escada inteira para outro.

  1. Alterar o significado da aprendizagem para a vida humana:

Para um aluno que não apresenta qualquer deficiência, infelizmente em nossa cultura, a felicidade pode esperar. Assim, frequenta-se a escola para aprender conteúdos conceituais e procedimentais olhando-se sempre para o amanhã. Para uma criança ou adolescente com problemas de inclusão a felicidade necessita ser agora e imediata. Frequenta-se a escola para se sentir bem, gostar da vida e se empolgar em evoluir ainda que seja para o que lá for, mesmo que seja apenas uma pitadinha.

  1. Desenvolver estratégias que envolvam o pleno autoconhecimento.

O autoconhecimento é, provavelmente, o maior atributo conquistado pela vida humana em sua evolução biológica e mental. Nossos ancestrais, antes da invenção da linguagem, viviam sem ontem e nem amanhã, prisioneiros de um eterno “agora”. Ao evoluírem começaram a se perceber, descobrir sua identidade e, com ela e aos poucos, a sua conquista maior que é o senso da individualidade. Uma pessoa bem resolvida sabe, efetivamente, quem é, o que foi e o que pretende e carrega sempre em sua consciência um Projeto de Vida. Poucas vezes a criança que necessita ser inclusa possui essa percepção sobre seu “eu” e, nesse sentido necessita de ajuda onde através de conversas, desenhos, comparação de figuras e fotos possa descobrir a admirável condição de ser única, pouco importando se presa a uma Cadeira de Rotas ou a limitações sobre o amanhã.

Uma escola que, através da união de sua equipe docente, promove uma verdadeira inclusão não pode abdicar de materializar sua ternura pelo aluno com deficiência, olhando-o como um admirável ser único, com consciência dessa individualidade e a certeza de que esse negócio de “felicidade” não é brincadeira pela qual se possa esperar.