GOOGLE E FACEBOOK – BEM VINDOS À SALA DE AULA

face_teachers1A primeira iniciativa de Mafalda ao assumir aquela turma de primeiro ano de Ensino Médio foi perguntar se todos, mesmo que compartilhando com amigos, dispunham de meios de consulta ao Google e ao Facebook. A resposta não a surpreendeu. Não apenas tinham essa possibilidade como era seguramente a coisa que diariamente faziam. Com a resposta desejada, explicou seu método de trabalho, alertando-os que:

  1. O resultado do desempenho bimestral de cada aluno seria aferido por prova única no estilo ENEM, mas principalmente por sua participação em aula;
  1. 7e21b9acf8b227b8a8fe8788e51bec0bEstava agora formando grupos de maneira aleatória e, dessa maneira, pelo menos em cada bimestre os alunos deveriam se integrar em equipes de cinco a seis colegas denominados por uma cor. Explicou que em uma sociedade em que todas as atividades profissionais são feitas em grupos, que não mais se justificaria a individualidade da sala de aula convencional;
  1. Essa participação somente seria satisfatória se antes da primeira aula da semana tivessem consultado no Facebook a “lição” obrigatória que propunha. Essa lição poderia ser resolvida individualmente, mas se completaria com a troca de idéias, presencialmente ou online, com os colegas de sua equipe;
  1. Essa lição semanal seria apresentada na tela em duas páginas e constaria de textos, problemas, ilustrações, algumas vezes um vídeo breve ou sugestões de consulta ao Google ou mesmo a Wikipédia;
  1. Concluída essa etapa da lição caberia aos alunos reflexões, observações e pesquisas sobre o relacionamento interdisciplinar dos temas propostos, portanto da transferência dos conteúdos alcançados para as demais disciplinas estudas na série;
  1. size_810_16_9_intelPara realizar a lição a contento seria indispensável ao aluno e sua equipe o uso de algumas competências básicas como “identificar linguagens”, “compreender e construir conceitos”, “saber selecionar alternativas apresentadas”, “capacidade de elaboração de propostas e argumentação” e uso de habilidades operatórias diferentes como “analisar”, “sintetizar”, “julgar”, “comparar”, “localizar no espaço e no tempo”, “criticar”, “interpretar”, “conceituar” e, progressivamente outras que aprenderiam. Em caso de dúvidas que não hesitassem de enviar-lhe uma mensagem, pois reservava um pequeno tempo semanal para esse atendimento;
  1. Após a conclusão da lição esta necessitaria transformar-se de lição eventualmente individual em lição grupal conquistada através do debate, pessoal ou presencial, com os colegas;
  1. Todas as aulas se transformariam em algo como um “laboratório de conclusões e debates e relatos de experiências” e com a sua intervenção a transformações de respostas grupais em resposta única e conclusiva. Isso alcançado, se buscaria a relação entre os temas apreendidos com as notícias diárias, suas experiências relacionais e da presença dos conteúdos no cotidiano da família, do esporte, do viver que a cada dia mais os desafiava.

Explicou que o empenho com o qual se dedicariam na solução dessas lições seria definitivo e que, dependendo do mesmo, aplicaria a prova por ser obrigação regimental, mas que os próprios alunos poderiam se auto avaliar e aferir a própria nota.

Assim prometeu e assim passou a fazer. É verdade que se cansava bem menos que seus colegas, mas não conhecia o sentido de “indisciplina” e a chegada das provas do ENEM era esperada com a gostosa ansiedade de colocar nas mesmas o que em sala de aula haviam em cada aula vivenciado.