FESTA DE CRIANÇA

1346090687322O salão reservado para o aniversário estava repleto. Alguns adultos que, como pais e parentes, recebiam convidados e também servidores e funcionários encarregados dos doces e salgados, solícitos no fornecimento de refrigerantes. Mas, esses adultos quase desapareciam pela quantidade enorme de crianças que, agitadas, corriam de lá para cá, deslizavam pelo escorregador ou saltitavam como exuberante energia pela “piscina” de bolinhas. A gritaria extravasava entusiasmo e alegria e os próprios adultos, se pretendiam ser ouvidos, precisavam retirar-se do salão.Magina

De repente, um breve instante de silêncio. O mágico acabara de chegar e se dirigia para uma sala ao lado, onde prepararia sua artilharia de truques. Causou alguma admiração, mas fugidia. Em segundos, as crianças esqueceram sua passagem e voltavam-se plenas de alegria e empolgação em suas correrias e sua festa. O breve silêncio de admiração com que saudaram sua chegada durou segundos e a gritaria entusiasmada recrudesceu.

Dez ou quinze minutos depois outra breve pausa. Chegara o palhaço e seus gritos e gargalhadas de saudação desertaram surpresas e encantamentos. Depois de abraçar algumas crianças mais próximas, dirigiu-se a sala reservada onde se prepararia para sua apresentação. O barulho de gritos e risos voltou e parecia que agora ainda com mais entusiasmo e vigor.

De repente, o silêncio. Como que magnetizadas, as crianças arregalaram os olhos. Um frêmito de murmúrios e espanto anunciava a nova chegada. De onde quer que estivessem, largaram tudo e ocorreram à porta como que desejando um subir sobre as costas dos outros. Um momento fantástico de magia e de alegria. Os adultos assustaram-se e confusos não tinham com explicar o frenesi dessa nova presença. Uma diáfana entrada silenciara a turba, canalizara múltiplas afirmações em nome único.

Seria um astronauta? Super-herói? Artista popular na TV? Bem mais que isso.

Um Deus em carne e osso que abraçada e escondida pela multidão de crianças, procurava respirar e, ao mesmo tempo, distribuir beijos. O clima de festa, até então agitado e barulhento se neutralizara pelo espanto da chegada infinita. Para as crianças, todas elas, simbolizava figura maior que anjo, mais infinita que qualquer fada. Personalidade humana que simbolizava a essência e razão da festa, presença maior que eclipsava em sua maneira simples de ser o fulgor ilusionista da mágica e alegria infinda da pureza infantil.

Agora a festa poderia até terminar. Se completara na admiração e no olhar de cada criança sua razão de existir. Chegara a professora Marta.