EXERCÍCIOS CEREBRAIS

Desde quando, na década de 1990, identificou-se a plasticidade cerebral como sendo uma propriedade da mente para se transformar e alcançar patamares significativamente mais expressivos descobriu-se que o cérebro, assim como os músculos do corpo, responde positivamente a estímulos e exercícios e, portanto, qualquer pessoa pode se desejar e se esforçar tornar-se mais inteligente, mais empreendedora, mais criativa e, sobretudo, ampliar de forma imensa sua capacidade de memorização e de retenção do saber.

Nesse sentido, os exercícios cerebrais ou estímulos são representados por desafios que nos impomos, pela incessante busca de querer sempre aprender mais, saber melhor, conhecer em profundidade. Assim  a palavra mágica da estimulação neuronal é “desafio” e sempre que nos desafiamos em descobrir ideias e pensamentos novos, estamos ampliando os limites mentais, da mesma forma como “desafios” de uma esteira ergométrica tornam os músculos dos membros mais aptos.

Mas, da mesma forma como o cérebro de quem se interroga, pergunta, desafia, resolve problema, pensa o impensável e outras atividades se “dilata” e torna mais apto, também pode perder essa maravilhosa “elasticidade” se deixar de buscar atividades de cristalização e solidificação dessas conquistas. E nada, absolutamente nada, de tudo quanto neurologicamente hoje se conhece, possui efeito cristalizador e fixador de ganhos cerebrais como a leitura.

Por esse motivo, antes de avançar e novos desafios, saiba preservar os que sua mente já conquistou. Para isso, leia com atenção o texto abaixo e faça do mesmo um caminho a percorrer. Nada, absolutamente nada, é capaz em tão pouco tempo de produzir tão auspiciosos resultados.

QUAL UTILIDADE DE DEZ MINUTOS POR DIA, EM UM DIA COMUM?

 

Não é essencial muita reflexão para se perceber que é tempo curto demais para a maior parte das atividades cotidianas. Uma bela mulher gasta muito mais tempo que isso para se arrumar e um homem, mesmo que pouco vaidoso gasta mais que os dez minutos para um singelo banho, fazer a barba e pentear o cabelo. Dez minutos de caminhada diária é melhor que nada, mas insuficiente para uma perda mensal de peso significativa e esse mesmo tempo em uma sala de ginástica é reduzido para exercícios aeróbicos ou atividades múltiplas de musculação. Se a receita é reduzir o colesterol e melhorar a condição cardiorrespiratória, esse ínfimo tempo é quase o mesmo que nada e se proposto como receita para melhor condição física, certamente provocaria risos. Dez minutos diários para em deslocamento nos veículos públicos quase não nos tira do lugar e um almoço com essa duração seria certamente um risco para a saúde. Dez minutos de sono é menos que um cochilo e uma boa paquera jamais se contentariam com espaço assim reduzido. Em síntese, a real utilidade de dez minutos em um dia comum passa quase despercebido por sua inútil validade e, se distancia, do tempo que gastamos para um bom trabalho, uma excelente descanso, uma ótima alimentação ou cuidados com o corpo e a elegância.

Encare, agora, os mesmos dez minutos por outro ângulo. Imagine uma pessoa que reserve essa fração quase inútil de seu dia para um momento de leitura. Para uma firme decisão de bem empregar esse tempo, ainda que apenas esse tempo. Um leitor comum costuma ler cerca de 150 palavras por minuto e, assim, em dez minutos lê 1.500 palavras ou um pouco mais. Uma página de um livro de ficção normal reúne cerca de 500 palavras – quase o mesmo que esta crônica – e, assim nesses dez minutos, esse leitor, sem pressa ou correria, teria devorado nada menos que tres páginas. Em uma semana estaria chegando a cerca de 20 páginas e, assim, em um mês leu 90 páginas. Um bom livro de qualquer assunto costuma abrigar em média 150 páginas e, nesse caso, o nosso leitor estaria lendo, com folga, lendo um livro a cada dois meses, portanto, seis livros por ano. Se for cuidadoso e bem escolher, com esse acervo formidável muda sua vida, amplia seus pensamentos, agrega cultura para conversar, paquerar, argumentar e decidir. Curiosamente, aquele mesmo tempinho diário que não muda o corpo e a nada faz pela pessoa e pouco agrega às relações pessoais, aplicados em uma leitura muda à cabeça, embeleza a alma.

Agora para que seus pensamentos possam voar, imagine que a lógica irrefutável destes argumentos seja apresentada a uma criança de dez anos que, entusiasmada, adote a prática. Quando chegar aos trinta anos terá lido nada menos que 120 livros e, assim, escancarado às portas para o conhecimento, a cultura, a beleza e a descoberta em si mesmo de tudo quanto à vida é capaz de proporcionar.