ESCOLA INOVADORA

Imagine pensar o impensável.

Isto é, imaginar uma escola em que nas salas de aula não existam carteiras, apenas mesas para cinco ou seis pessoas e cadeiras. Mas, se isso surpreende não é apenas isso que surpreende.

Nessa impensável escola não se organiza provas individuais para os alunos, as turmas não são padronizadas por faixa etária e, assim, dos mesmos grupos de estudos participam alunos de níveis de escolaridade diferentes. Continue a imaginar o inimaginável e descubra que é escola onde não existe o menor risco de bullying, seu currículo não está ordenado em folhas de papel impressas, mas nas notícias que se encontra e nos desafios que são propostos. Os conteúdos discutidos não são para serem memorizados, mas para se transformarem em análises, sínteses, comparações e argumentos e tudo quanto de aprende se relaciona à vida e ao ambiente. Dessa maneira, a Língua Portuguesa é ferramenta para conversar, debater, perceber o outro em si e se fazer a leitura do mundo, a Geografia se descobre nos caminhos que se percorre e nas jornadas que em consenso se aprova, o hoje é espelho histórico para refletir o ontem, enquanto que a matemática abre-se a leitura do espaço e de suas formas e as Ciências lá existem para serem experimentadas em cada passo, todos os dias.

Mas, se esse impensável pensamento divaga pela porção de coisas que essa escola não tem, cabe destacar o que a faz ser como é. É que na mesma os alunos são avaliados todos os dias e por todos e são orientados a sempre se auto avaliarem e esta avaliação envolve conceitos que se aprende e se usa, mas também valores, atitudes e procedimentos que se, depressa, transforma o aprender em fazer. Uma escola que pelos caminhos da afetividade ensina a compartilhar e a conviver e cujos projetos que norteiam os caminhos do saber são sempre discutidos em assembleias em que alunos e pais, professores e gestores olham o agora para projetar o amanhã. Os professores estão sempre circulando entre os grupos e se não levam respostas, esforçam-se para multiplicarem interrogações que estimulam o pensamento e sugerem descobertas.

É evidente que essas escolas inimagináveis possuem limites e, assim, não abrigam mais de 30 alunos por turmas, circunstância impensável anos atrás quando as taxas de natalidade eram muito altas e crianças sem escolas comuns em toda parte. Outro limite inegável nessas escolas é o esforço para tornar vivos em cada dia e para cada grupo o ensinar a aprender, pois quem isso aprende pela vida inteira continua apreendendo, o aprender a conviver e se relacionar uma vez que o mundo das profissões e da felicidade não abre espaço para a solidão, o jeito gostoso de materializar o aprender pelo exercício do fazer e, sobretudo, perceber que na descoberta de si mesmo e de cada um em seus sentimentos se esconde a surpresa da paz e a grandeza da felicidade, inspirações para um projeto de vida.

Imagine, agora, que o pensável é pragmatismo e que essas escolas não são utopias.

Menos de 180 em todo país, apenas 48 apenas no Estado de São Paulo. Isto é verdade. Quase nada no colossal universo das escolas públicas do Brasil, mas estrelas que pelo seu brilho e resultado, depressa, inspiração constelações. Não parece necessário pensar que educação do século XXI existe apenas em países que efetivamente lá chegaram.