EDUCAÇÃO SUPERIOR: DESAFIOS E PERSPECTIVAS PROFISSIONAIS EM UM MUNDO GLOBALIZADO

Houve um tempo que a um professor que ministrava aulas no Ensino Superior cabia apenas à responsabilidade de bem saber os conteúdos que transferia. Se, a essa qualidade, pudesse acrescer algumas noções de didática seria excelente, ainda que não essencial. Aos alunos, como decorrência dessa filosofia educacional outra tarefa não restava senão a de acumular informações retê-las na memória em uma bem disfarçada “cola” e apresentá-la em seus exames.

Esse tempo já não mais existe, ainda que não poucos lutem estoicamente para preservá-lo. Vivemos tempos de Internet, o mundo se globalizou e hoje mesmo nos pontos mais distantes do país se vive cercado de artefatos de outros cantos, ainda que nem sempre legítimos. Mas, entre todas as mudanças que puderam tornar vinte anos um passado distante, a que mais afeta o Ensino Superior, tanto para professores como para alunos, são as descobertas trazidas pela Ciência da Cognição.

A Ciência da Cognição é novo e desafiador ramo do conhecimento humano que se edificou desde o final do século passado e que unindo saberes das Ciências da Computação e da Neurologia Avançada, os somaram a reflexões da Filosofia, Sociologia, Economia e Antropologia. Com a mesma o cérebro humano de pessoas vivas pode ser aberto e através de aparelhos de Ressonância Magnética Funcional e outros foi possível descobrir os alguns segredos da mente, sobretudo revelando como aprende e como guarda saberes de maneira a fazê-los instrumento para novos saberes. Com essas descobertas, sufocou-se um ensino centrado na figura impoluta e indiscutível do professor, mostrou-se que a erudição específica do mestre é apenas complemento de seus estudos de cognição e, sobretudo, colocando o aluno como eixo central do processo de aprendizagem mudou de forma significativa e irreversível o conceito de aula, conteúdos, ensino, memórias e linguagens e avaliação da aprendizagem.

Por essas razões e para que professores e alunos possam efetivamente se adequar ao mundo globalizado é que emerge o imenso desafio imposto pela necessidade crucial da transformação. Não há mais qualquer perspectiva profissional para professores de ontem, não existe razão e sentido para que existam alunos que acumulem informações, sem capacidades e competências para as transformarem em conhecimento e para fazer do mesmo uma perspectiva de vida e um anseio de realização profissional.

Impossível nos limites estreitos de um breve espaço fazer análise criteriosa desses pilares de uma nova Educação Superior. Mas, para que da mesma se possa vislumbrar horizontes é importante destacar que não se está solitário nesse desafio. Cursos Superiores e estudantes universitários existem em todo mundo e a facilidade trazida por sua globalização permite que se aplique aqui o que lá fora, com êxito e sucesso, se pesquisou e aplicou.

Dessa forma, um primeiro sentido na concepção de “aula” nos leva a perceber que não mais existe formato único para a mesma. A aula é a “ferramenta” essencial da aprendizagem e como não existe ferramenta única, pois os desafios de seu uso são imensos, cabe ao professor aprender outras maneiras de se ministrar aulas, sempre focadas na construção de aprendizagens significativas e o despertar de inteligências e competências diversas para seus alunos. Quanto aos conteúdos nada mais pode admitir que fossem aceitos se não se contextualizam de maneira afetiva e efetiva a realidade que se vive e a leitura de mundo que se faz. Ouvir relatos de um professor sobre temas que em sítios de busca os apresenta significa tolice e desperdício, mas sítio de busca algum pode levar alunos a associarem os fatos da ciência e da arte à vida e ao entorno. Se mudanças poderosas quebram os paradigmas de aulas e conteúdos do passado, também se rompe a ideia de uma memorização estéril para que se firme aulas voltadas para estímulos a inteligências e competências e para um uso racional da memória, atributo maior da mente humana.

Em um mundo em que não mais se tem aula, conteúdo, professor, inteligência e memória de antigamente não poderia também sobreviver sistemas de avaliação arcaicos e quantitativos que estabelecem rankings inúteis e enganam estudantes ingênuos. A grande verdade é que alunos e professores se encontram no alvorecer de uma nova era, na proa da embarcação que sinaliza novos horizontes. Ou embarcamos com ousadia e coragem e saibamos nos fazer protagonista autêntico dos novos tempos ou saibamos assumir o naufrágio de nossas convicções pessoais e de nossos empregos oficiais.