Editorial

#Gratidão #Amorpelaminhaprofissão #educarpodetransformarvidas

Somos, todos nós pais e professores, como pescadores e marinheiros que vimos nosso singelo barco envolvido pela tempestade, cruel e inesperada de uma quarentena.

Diante da inevitável angústia desta inesperada crueldade, resta-nos apenas duas alternativas:

Ou, em desespero, lamentar a sofreguidão da angústia e, enfraquecidos, cruzar os braços;

Ou reagir a ela, sentindo-se ainda mais fortes pela força da solidariedade, pela crença de que novos e bons tempos chegarão.

Diante disto, como educadores, pouco importando se como professores ou pais, devemos olhar com firmeza o horizonte e acreditar que é imprescindível plantar novas esperanças e esperar por um outro e novo amanhecer. Substituir lamentos por ações, amarguras pela fé transformadora da reconstrução. Para que tal ocorra atrevemo-nos sugerir alguns passos que acreditamos, imprescindíveis e imediatos:

  • Criar no lar, se é que já não existe um “momento da família”. Espaço diário, como hora unanimemente acordada entre todos, em que se desliga telefones móveis e fixos, rádio ou televisão e por meia hora ou pouco mais, se conversa, troca ideias, elabora planos, semeia-se outras vivências.

Nada impede que, mesmo nas escolas, assoberbadas por atrasos em conteúdos conceituais, também, mantendo razoável distância, conversar sobre planos, inventar estratégias de convívio, realçar momentos de alegria e sobre novas formas de amizade e ternura recíproca que, então, deveremos começar a construir.

  • Acreditar que o “ano letivo” ficou bem mais curto, mas nem por isso se abdicar dos objetivos em se priorizar o essencial nos conteúdos antes programados, deixando para anos letivos que virão um progressivo enxugamento de saberes antes programados.

Uma verdadeira, integrada e unida “equipe docente” deve pensar sempre nos conteúdos imprescindíveis e os complementares e, dessa forma, priorizar o “bem saber” que “o muito memorizar” e, desta forma acreditar, que uma escola e/ou família que “bem educa” vale bem mais que outra que abriga a ingênua suposição de que o bastante vale mais que o essencial.

  • Aprender e praticar uma nova linguagem dos sinais, revelando não ser esta apenas estratégia de comunicação para deficientes auditivos, mas novas maneiras de se falar em ternura, amizade, carinho, dedicação. Antes se abraça estreitando ou outro entre os braços, mas com a “nova linguagem” simbolizar abraços abraçando-se frente a quem se ama.

O desafio dessa singela proposta ensina que o amor verdadeiro não se circunscreve necessariamente a proximidade e que guardar o outro em sua ternura não impões contato cultural. Olhos sinceros alam mais que palavras memorizadas e que, nem sempre, são autênticas.

  • Estimular para todos os alunos, filhos e outros, em quaisquer níveis etários, exercícios de criatividade. Ora começando uma frase, história ou fábula que requer momentos de concentração para se criar e inventar respostas, outras vez apresentando um som gravado para que se descubra sua origem, ou ainda solicitando que, com olhos fechados, descubram p som de um apito ou um acorde.

Pequeninas brincadeiras do tipo “Não diga a palavra Não” ou ainda outras, muitas outras, constituem formas lúdicas e alegres de antecipar a capacidade do inventar, imaginar, sonhar… Enfim Criar.

  • Ainda que não seja uma tradição educacional em escolas de nosso país, aproveitar esses momentos de união para estímulos às inteligências. Os notáveis avanços da Neurociência mostram caminhos admiráveis e sem custos para fazer da escola e/ou do lar um privilegiado espaço para uma educação integral.

Bem mais que os adultos, ainda que estes não se excluem, as crianças necessitam expandir ilimitadamente suas capacidades linguísticas, logico-matemática, espaciais, emocional e outras, muitas outras.

  • Outro campo admirável em uma nova educação familiar e escolar se apoia em uma surpreendente educação socioemocional e em valores morais e éticos. Esse admirável caminho não envolve custos, não se restringe a idade – ainda que da vida pré-natal até os quinze anos se revele mais fértil –

Essas estratégias educacionais, reafirmam a importância imprescindível de um “momento da família” ao qual já nos referimos ou então a um espaço escolar de não mais que uma aula semanal, sem qualquer prejuízo de outras atividades. Uma sugestão deste professor se apresenta em uma indicação bibliográfica, sugerida ao final destas páginas.

  • Para concluir parece-nos necessário propor, no lar e na escola, uma educação dos sentidos, desenvolvendo estratégias – que mais parecem brincadeiras – em que se estimula o paladar, olfato, tato, visão e audição. É evidente que estas estratégias jamais abrigam intenções na formação de especialistas, mas a certeza de que um aumento na qualidade de vida não constitui privilégio de alguns, mas ação uníssona em quem acredita que sempre após a tempestade, há de surgir a bonança.