DIZER, FALAR, CONVERSAR…

Para a maior parte das pessoas que, rapidamente, passam por essas palavras existe a quase certeza de que são sinônimas. Afinal, quando dizemos estamos falando, se conversamos estamos também usando a letra ou a voz. Mas, a despeito de aparente identidade, essas palavras possuem sentido sensível e compreende-los ajuda-nos a separar pais inesquecíveis e professores imprescindíveis de pais apenas comuns, professores que somente passam por vidas, sem pretensão de se fixarem em saudosas lembranças.

Cabe assim nestes tempos de aguda transição, refletir sobre a o sentido destes termos e a profundidade dispare de seus significados. Antes, entretanto, uma justificativa sobre a tal da “transição” acima se falou. Jamais antes mães e professoras, pais e professores que quando crianças brincavam, tinham folguedos com os que agora se vê. Não mais existem crianças brincando com “Barbie”, fazendo comidinhas em panelas de fantasias, jogando bolinhas de gude e empinando papagaios. Se essas formas de brincar marcaram a geração de seus mestres, as crianças de agora já não mais identificam a magia oculta dessas palavras. Hoje seus brinquedos são outros e, afoitos, preferem a diversidade dos smartphones, dos dedinhos ágeis buscando o teclado para jogos de mil desafios. Como jamais aconteceu, nos lares e nas escolas de agora explodem o confronto do ontem com o amanhã, o desafio de brincadeiras que morreram com outras que morrem quando mal acabam de surgir. Assim, em todos os lares e todas as escolas esses contrastes assumem mágica dimensão para buscar a etimologia de palavras como dizer, falar conversar. Senão vejamos:

“Dizer”, do Latim “Dicere” expressa a mensagem breve do recado, da informação sucinta, do aviso imediato, do alerta expressivo. Usa-se o dizer para a saudação breve, o elogio discreto ou a ríspida bronca.  “Falar” possui significação etimológica mais ampla. Expressa o argumento mais esmerado, a solicitação mais explícita. Sua origem, também latina, é o “falare” e assim designa a conversa animada, a informação útil, a fábula e a metáfora, o recado que se justifica. Nada, entretanto, identifica a origem, a grandeza e o sentido da palavra “Conversar”.

Este simples vocábulo, outra vez de origem latina, expressa o “morar junto”, isto é, significa a amplidão do conviver, senão o morar com o corpo, mas o convívio do pensamento.  A conversa é interlúdio de namorados apaixonados, troca de mensagens que abriga afeto e reciprocidade, a comunhão integral de intenções. Assim, quando se diz se apresenta a mensagem breve, quando se fala se troca opiniões e argumentos, mas quando se conversa habita-se pensamentos que se comungam. Ideias que ao se fundirem crescem na busca do infinito.

Mãe e professoras, pais e professores dizem sempre, falam muito, mas nem sempre aceitam a troca que toda conversa propõe. Dizer, vale para o recado breve, falar para o bom conselho ainda que unilateral, mas conversar constitui a essência do crescimento, a troca que aproxima o corpo e que funde almas. Pais e professores que apenas diziam constituem lembranças que, depressa, se desfazem, os que, sem abdicar dos imprescindíveis recados, algumas vezes falavam trazem mensagens com emoção, abrigavam a intenção do bom ensino. Mas, quem na vida pode prescindir os que sabem conversar e com esta arte, nos ensinavam a viver, educam para a lida e para a luta, mostram a contradição nos caminhos, abre o espírito para acolher plena sensação do amor, o enlevo da boa poesia. Verdadeiramente imprescindíveis, foram e são pais ou mestres que sabem conversar e, por isso, ouvem com atenção, sugerem com doçura, iluminam caminhos incertos, abrigam intenções autênticas.