Crônica do Mês

  GESTÃO E LIDERANÇA

Existe unânime certeza que todo bom Diretor ou Diretora de uma Escola, Pública ou Particular, necessita ser um líder e que o domínio ou não dessa competência representa essencial diferença na qualidade de uma escola. Acontece, entretanto, que as qualidades de uma liderança não são atributos inatos que a pessoa traz em sua bagagem hereditária, mas competências que se domina e se desenvolve. Se assim for, cabe discutir quais seriam essas competências e até que ponto podem ser as mesmas exercidas por um profissional e, também, se algumas destas qualidades não exigem traços de caráter, estes já não tão facilmente adquiridos pelo estudo e pelo esforço.

Comecemos pela segunda questão.

Durante muitos anos se pensou que liderança e caráter eram atributos siameses e que seria impossível encontrar um bom líder se entre os fundamentos de uma personalidade, faltassem certos elementos cruciais à liderança. Era comum, por exemplo, destacar que todo líder, entre muitos outros atributos, não poderia ser excessivamente tímido e se, por acaso, essa característica se mostrava marcante em um profissional, não era a mesma compatível com o exercício sereno da liderança. Essas argumentações já não mais fazem sentido e em muitas organizações pessoas sabidamente tímidas, exercem insuperável liderança. Não só a timidez é atributo que com algum esforço e paciência se transforma, como seu exercício em si não se choca com as estratégias essenciais de sólida liderança. É até possível pensar que na pré-história humana a boa liderança se associasse a alta agressividade e que esta não combinava com a timidez, mas não mais vivemos nas savanas e as escolas modernas em nada se identificam com neolíticas cavernas.

Consolidando-se, dessa forma, a indispensável distância entre caráter e liderança, chega-se então as “competências” essenciais a um ou a uma líder escolar. Vamos a essa relação, advertindo-a ser incompleta, pois além de atributos gerais que aqui se relaciona, cabem outros de natureza específica e pontual que diferencia uma escola de outra. Mas, independentemente destes, não existe liderança verdadeira, quando falta:

  • Consciência de que se é eterno aprendiz.

Impossível identificar capacidade humana mais distante da liderança que a prepotência de se pensar que se sabe tudo e a arrogância de acreditar que nada mais se tem a aprender. Uma liderança moderna se opõe ao autoritarismo de quem se pensa imutável, de quem se deixa envolver pela ingenuidade infantil de acreditar que o que deu certo ontem, com certeza representa elemento válido para o amanhã.

  • Clareza sobre recursos e meios para alcançar a essência dos objetivos traçados.

Essa competência poderia ser descrita com as palavras “pés na terra”, expressando a certeza de que todo líder necessita conhecer a fundo a realidade que dispõe, julga-la sem qualquer preconceito ou estereótipo e traçar objetivos realistas, ainda que o alcance de alguns passos não impeça que sejam dinâmicos e, portanto, refeitos sempre, buscando cada vez menos os sonhos e construindo em todas as oportunidades o melhor possível.

  • Capacidade de formar verdadeira equipe.

Da mesma forma que a qualidade de um ato cirúrgico complexo somente pode ser aferida pela ação da “equipe médica”, não se pode crer que a qualidade de uma excelente escola possa se repousar no trabalho deste ou destes professores. Um grande líder é sempre um excelente formador de equipe, capaz de acompanhar dia a dia seu desempenho, elogiando esta ou aquela ação, corrigindo este ou aquele procedimento. Nenhuma equipe pedagógica caminha bem, sem o olhar atento, analítico e crítico de um bom líder que jamais se ampara em “certezas” imutáveis. Um time de futebol, por exemplo, pode jogar vez ou outra uma partida excepcional, mas os torneios e campeonatos são sempre prêmios à regularidade no desempenho, a constância na avaliação e correção de rotas.

  • Habilidade para gerar um ambiente “saudável” em todas as dimensões.

A escola é, por essência, um espaço alegre, criativo, dinâmico, fomentador de ideias e pronto para acolher iniciativas e esses atributos estão muito ligados ao exercício da liderança. Seriedade no trabalho docente não deve ser sinônimo de tristeza e amargura persistente não combina com a juventude. A palavra recreare vem do latim é expressa o “criar de novo” e, por essa razão, uma excelente escola é escola recreativa onde tudo quanto se descobre se acrescenta e onde cada ano letivo que passa é lição que fica, para um renascer permanente.

  • Mostrar-se empreendedor, pensando sempre nas estratégias, condições e possibilidades de se construir o futuro.

Toda escola se afirma preparadora do futuro, mas é importante que se saiba que o futuro não está pronto, não simboliza ilha que, do oceano o náufrago a descobre. O líder é sempre o profissional que olha esse amanhã como um desafio e que sempre está pronto para mudanças. A excelente escola é aquela em que os alunos aprendem a aprender e os professores aprendem a reconstruir planos e fomentar desafios e incertezas.

Não existe maneira mais serena e otimista de se pensar o futuro, que reconstruir com bases sólidas o presente, que a todo instante se modifica.