CONVERSAS PARA QUEM AMA CRIANÇAS – COMO PROMOVER O AUTOCONCEITO

O Educador Infantil em sala de aula ao exercer sua prática ou os pais em casa na relação cotidiana com os filhos emitem, muitas vezes de forma inconsciente, uma porção de julgamentos, comentando seu comportamento em relação às ordens, de sua relação com os colegas, avaliando, enfim, sua postura e sua conduta. Não raramente, comparam gestos e atitudes com a de outras crianças, tanto no sentido positivo, quanto negativo.

Esses julgamentos cotidianos, ainda que rotineiros na relação da criança com o adulto não são, entretanto, inofensivos e incidem de maneira marcante sobre o autoconceito que a criança faz de si mesmo e as opiniões que imagina que os façam a seu respeito. Por esse motivo, é importante refrear o estado de estresse e sempre se valer de extremo cuidado e escrúpulo, destacando também a menção de aspectos positivos.

Enfim, em uma conversa isenta de raiva e envolvida pela doçura é importante “ajudar” a criança verbalizar no dia que finda ou no dia anterior “o que fez de bom”, “o que fez de muito bom” e “o que poderia ser feito melhor”. Dessa maneira se afastar da ideia de que quem educa é árbitro de atividade esportiva que apenas intervém para marcar o erro, assinalar a falta.

Além disso, e sempre que possível, não esquecer:

  • Fixar-se com entusiasmo em suas efetivas potencialidades, sem omitir aspectos em que acredita em seu progresso;
  • Corrigir as condutas inapropriadas, mostrando-as não como elementos da personalidade ou do caráter da criança, mas como pequenos desvios de conduta comuns, mas que se acredita serem corrigidos;
  • Conversando com a criança destacar comportamentos que você acredita positivos e permanentes sem deixar de mostrar que existem outros comportamentos eventuais e que podem ser, com algum esforço e atenção, modificados;
  • Conversar com a criança sobre qualidades que admira em personagens de histórias, em pessoas conhecidas, em fatos que se extrai de uma leitura de jornal ou um programa de televisão. Apresentar a opinião pessoal, não se esquecendo de permitir a criança que também apresente a sua.
  • Estimular atividades lúdicas que consolidam o autoconceito, como desenhos de si mesmo, desenhos de personagens que admira ou ainda atividades diversas de expressão corporal e psicomotricidade em que a criança busca se superar.

Para concluir: Se convidados para uma conversa com um juiz, com uma autoridade maior no domínio de um conhecimento ou um cientista de renome, certamente, nos preocupamos no que vamos dizer e, sobretudo, como vamos dizer. Essa preocupação e esse sentido de responsabilidade, entretanto, geralmente não são mantidos quando conversamos com uma criança, mas nessa singular situação se oculta um forte contraste. Para a autoridade a quem nos dirigimos somos apenas uma pessoa que a admira, um postulante que alguma coisa pleiteia, mas a conversa com a criança é diferente. Nossas palavras não se perdem tão facilmente e, muitas delas, sobretudo as que envolvem o autoconceito que a criança faz, são retidas nas lembranças, arquivadas na mente. Para o bem e também para o mal.