CONVERSAS PARA QUEM AMA CRIANÇAS – A FORMAÇÃO DO AUTOCONCEITO

Denomina-se “autoconceito” um conjunto de atribuições (ideias, crenças ou pensamentos) que cada pessoa possui sobre si mesma. São reflexões que ocorrem quando, com sinceridade, procuram tanto do ponto de vista físico quanto psicológico responder perguntas como: “Como sou?”, “Quais características me definem como pessoa?”.

O autoconceito constitui um fundamento essencial da saúde emocional, mas não representa característica que nasce com a própria pessoa e, nesse sentido, a ajuda de pais, parentes e amigos e professores é absolutamente essencial, pois se liga de forma muito próxima à autoestima e representa poderosa barreira a elementos que geram o estresse e a ansiedade. Uma criança consciente de suas própria habilidades e limitações cresce e se faz pessoa capaz de superar situações da vida com segurança e serenidade. Por outro lado, conhecer suas limitações, permite aceitar-se e descobrir a felicidade em sua identidade, em sua singularidade exclusiva.

Mas, se o autoconceito não é inato, como ajudar a criança a forma-lo?

A resposta é extremamente simples, mas, os atropelos da vida moderna, sem sempre os fazem exequíveis, razão pela qual tanto pais e mães como outros educadores necessitam sempre e com persistência conversar com a criança, mesmo quanto esta não procura o adulto para estas conversas.

Mas, conversar sobre o quê? Quais assuntos priorizar?

Conversar sobre personagens de ficção extraídos de histórias ou inventados e que são “calmos” e outros “agressivos”, alguns “pacientes” e outros “impacientes”, muitos certamente “corajosos” e outros “medrosos”, levando a criança quase que insensivelmente a se colocar nesses extremos, buscando assim sentir que a calma é muito melhor que a agressividade, que a paciência é uma bela virtude e que ser corajoso, não significa a ousadia do super-herói, mas a valentia de suportar momentos difíceis, remédios amargos ou deixar de fazer que mais se aprecie pelo que é verdadeiramente essencial.

Toda criança, ainda que de forma inconsciente, anseia para que os adultos a percebam por aquilo que dela esperam e, por essa razão, conversas recheadas de historias, conversas breves e carinhosas, conversas pelas quais a criança espera simboliza “tijolos no alicerce da construção” desse autoconceito tão essencial para toda vida. No avesso dessa educação se colocam adultos que com frequência transmitem ideias negativas sobre as crianças que estão ao seu lado, levando-os a incorporação de uma identidade marcada por aspectos negativos.

Antes dos dois anos de idade a criança já costuma acumular experiências de sua interação com o outro e se esta interação desperta prazer e alegria ou, o avesso, da “obrigatoriedade” ou da “chatice”, se sente que é amado ou apenas cuidado, já começa então a delinear em sua formação mental os fundamentos de seu autoconceito.

Já a partir dos dois anos, começa a fazer uso de pronomes pessoais como “eu”, “você”, “meu”, “seu” e outros e com isso já se torna capaz de identificar como ser humano singular e único, portanto diferente de seus pais, mas sua essencial figura de afeto. A partir dessa idade começa mentalmente a descrever-se a si mesmo mediante características externas como “sou menino ou sou menina”, “tenho pele clara ou tenho pele escura”, e, principalmente, “sou bom” ou “sou mau” e outros conceitos sensíveis e fáceis de serem percebidos e que recebem dos adultos que o envolvem. Dos dois aos seis anos começam a observar princípios da consistência de seu autoconceito e vivem assim momento crucial na formação de sua identidade pessoal. É chegada então a hora de mais intensivamente se trabalhar essa preciosa questão na Educação Infantil, no lar e na Escola.