CONTEÚDOS CONCEITUAIS EM TEMPOS DE PANDEMIA?

Imagine uma entrevista da qual participam um ou mais médicos que se tornaram célebres, engenheiros de internacional reconhecimento, advogados brilhantes e ainda outros, bastante outros profissionais que se destacaram e se destacam agora, peçam-lhes então para recordar em sua carreira e atividade profissional de pleno sucesso e verificar qual aprendizagem de seus tempos de Ensino Fundamental ou Médio, foram-lhes, essenciais no atual desempenho de sua brilhante profissão.

A resposta é simples e nenhum de nós a colocam em dúvida.

…. Bem… Muito pouco.

Mas, sem essa aprendizagem não chegaríamos jamais a concluir o Ensino Médio e, assim, passar pelos Vestibulares e através de experiências em estágios chegarmos a nossa atual e reconhecida ação…

Ousamos, assim, fazer uma reflexão:

É inegável o quanto a escolaridade nos ajudou, mas muito por aprender a aprender, pela indispensável educação da atenção, pelos desafios a criatividade pessoal, pela percepção de verdadeiros valores na vida social e mais e, sobretudo, pela responsabilidade em “ser mais” e não a utopia de “ter mais”.

Mas…. Nada, entretanto, pelo currículo que nos foi propiciado.

Se, por exemplo, nos dias de agora desejarmos saber fatos apreendidos nas aulas das diferentes disciplinas basta consultar uma boa Enciclopédia ou, mais fácil ainda, fazer uma procura eletrônica em qualquer dispositivo de busca da Internet.

            Isso mesmo, na atualidade o absurdo volume de informações que nos vimos obrigados a estudar, para quase nada servem, senão pela oportunidade de ter aprendido a aprender, se relacionar com os colegas, enfrentar múltiplos desafios e outros fundamentos sociais, mas, entretanto, não curriculares.

…Transfira agora esse percurso e descubra que uma pandemia terrível, amarga, triste, lamentável e inesquecível pode nos obrigar a mudar nosso currículo conceitual e, substituir o que na Internet se busca, por outro currículo que exalte o aprender a aprender, o bom relacionamento com as pessoas, o transformar o saber em “fazer” e assim… SER MAIS.

Pense que a realidade da “A lua furando nosso zinco e salpicado de estrelas nosso chão” é linda em um samba-canção, mas não remedia a amargura de viver na miséria e achar tudo isso apenas “coisas da vida”. Longas e infindas horas em que passamos nas carteiras escolares quase nada treinou-nos em criatividade, exercitou-nos a disciplina da atenção consciente, ajudou-nos a perceber valores sociais e morais e, sobretudo, “acordar” nossa certeza de que a solidariedade não se afasta da felicidade.

Chega-se aqui ao propósito essencial desta tímida crônica:

Nos currículos escolares que a maldosa pandemia nos impõe, a volta às aulas, precisa bem pouco de conteúdos e de saberes enciclopédicos, mas muito do que vivenciar nas aulas, a criatividade, atenção, méritos & valores, estímulos às inteligências e se avaliar a cada dia e descobrir-se que “ser professora ou professor é bem mais  que se fazer enciclopédia, ou um “mouse humano” e admirável oportunidade, apesar do absurdo preço em vidas que não voltam jamais, ensinar nossos alunos, todos eles, a “ser” mais.