COMO TRAZER OS PAIS À ESCOLA?

CONEXÃO FUTURA

PROGRAMA DE 05/08/2015

 

Nada prejudica mais a aprendizagem e o desenvolvimento do caráter que a convivência com linguagens antagônicas. Quando marido e mulher falam línguas diferentes e opostas a criança desenvolve-se cercada pela insegurança e pela dúvida, dividindo-se perfidamente entre um e outro, entre o que no primeiro momento parece ser o menos severo, ainda que não lhe seja o melhor. Quando pais e professores proclamam línguas diferentes, o controle da disciplina torna-se bem mais complicado e a estruturação da personalidade perde-se entre o antagonismo de modelos em conflito. Para que os males dessa educação não comprometam a pessoa que existe em todo aluno, é essencial que exista alguma uniformidade e essa é apenas uma das muitas razões porque é importante que os pais venham à escola, conversem com os professores, percebem a dimensão de seu trabalho e respeitando-o, possa em casa educar melhor. O grande problema, entretanto, é saber como trazer os pais à escola. Os que com mais frequência aparecem quando convocados, são geralmente os que menos problemas exibem, e muitos outros, quando aparecem, o fazem para reclamar de um ou outro incidente, questionar o regulamento, pagar mensalidade ou contribuição ou inteirar-se dos desempenhos do filho no ano que finda. Assim, pois, a pergunta se refaz: Como trazer os pais à escola para sua efetiva contribuição para uma educação participativa? Como faze-los acreditar que sua presença não é apenas desejável como no passado o era, mas essencial para que se estabeleça “mão única” em direção a uma educação integral?

As respostas a essas questões, entretanto, atiram-nos a outras duas: Caso se encontre a fórmula para trazer os pais, a escola possui conteúdos efetivos a propor? A equipe docente construiu com efetividade uma divisão de competências e sabe como e quais passar à família? A Direção, Coordenação e Equipe Docente aceita com consciência e orgulho “perder” algumas noites mensais para essas reuniões? Apenas respostas afirmativas poderiam justificar a vinda dos pais, caso contrário, mais sereno será deixa-los em suas casas e traze-los apenas para as festas de fim de ano. Vamos, entretanto, ser otimistas e acreditar que as questões acima foram respondidas com coerência, agora, portanto, justifica-se a proposição de algumas estratégias. Vamos a elas:

Quando anos atrás, Diretor de Escolas que tinham propostas sérias à família, conseguimos parcialmente superar o desafio, com a integração das seguintes iniciativas:

  1. Quando da matrícula do aluno, solicitávamos ao pai assinar um documento informando-o da importância de sua presença nas reuniões e, e em algumas circunstâncias, subordinando a renovação dessa matrícula a esses comparecimentos;

  1. Quando da proximidade de cada Reunião encaminhávamos uma circular, assinada por toda equipe docente reiterando a certeza e a importância dessa presença;

  1. Marcava-se na Agenda do aluno a referência às Reuniões e, em classe, se explicava a todos quais tópicos se pretendia discutir e qual a efetiva importância da presença dos pais. Buscávamos fazer de cada aluno, um agente na motivação dos pais.

  1. Pouco a pouco fomos tornando nossos professores especialistas em determinados assuntos que envolviam a relação família x escola. Selecionando livros, artigos, reportagens e organizando entrevistas com profissionais, cada membro da equipe docente aprofundava conhecimentos específicos e eram estes profissionais que conduziam aspectos desse tema, quando na Reunião destacava-se sua emergência;

  1. Organizava-se previamente o calendário de Reuniões – admitindo a possibilidade de eventuais Encontros Extraordinários – e estes eram já no início do ano letivo apresentado aos pais para que, com antecedência, se programassem. Fugia-se de datas que emendavam feriados, eram usadas para jogos ou eventos que poderiam dispersar o desejo de comparecimento;

  1. Atribuíam-se funções diferenciadas aos pais, solicitando a alguns sua ação mobilizadora e sua participação em verdadeiro promotor do marketing dessas Reuniões;

  1. Jamais se admitia que após a Reunião deixasse de se externar um breve agradecimento pelo empenho e participação e esses comunicados faziam-se acompanhar de uma síntese sobre os temas debatidos e sua relação com as linhas procedimentais desejadas;

  1. Quando possível, convidava-se autoridades para debater com os pais fundamentos educacionais, questões que envolviam drogas, temas relativos a sexo, processos de aprendizagem e outros assuntos;

  1. Estimulava-se a formação de grupos de trabalho onde pais e mães podiam voluntariamente atuar nessa ou naquela especialidade e dando a esses organismos uma vida própria e uma ação independente, ainda que oferecendo o espaço escolar e sua infraestrutura para as reuniões eventualmente marcadas.

  1. Definia-se previamente a duração da Reunião, buscava-se pontualidade em seu início fosse qual fosse o número de pais presentes, seguia-se o cronograma estabelecido e cada família, antes da Reunião, podia contar com a certeza da hora em que esta deveria terminar.

As medidas acima propostas foram utilizadas como estratégias gerais, fato que não impedia ainda muitas outras, específicas para cada Reunião. Nunca pudemos contar com a totalidade das famílias envolvidas, mas orgulhava-nos saber que as Reuniões não eram apenas momentos aguardados com interesse, mas pontos significativos de uma educação efetivamente participativa.