BARBIE OU POKÉMON GO?

A maior parte das professoras que hoje lecionam, quando meninas brincavam com a Barbie, hoje as suas alunas andam a caça de Pokémon GO. Com os meninos, seja qual for sua idade, não é diferente. Jogavam botões ou colecionavam bolinhas de gude, seus alunos não se desgrudam do smarthphones e seus olhos se fazem hipnotizados pelas telas de seus tabletes. Não mais se vive tempos de Mandrake ou Tarzan, engolidos pela temível “Star treck”… enfim, nunca como nos tempos de agora uma admirável geração de garotos e de garotas frequentam escolas e buscam aprender com uma não menos formidável geração de professores que foram crianças e aprenderam a aprender em outros tempos.

Como deve ser esse diálogo? Ou de maneira ainda mais angustiante se pergunta: É afinal possível esse diálogo? Prefiro pensar quem sim, pois se é verdade que a atual geração digital que hoje chega às escolas representa apenas 16% dos alunos, mas em uma década serão mais de 70%. Se imaginarmos difícil esse diálogo agora, será certamente impossível nos anos que virão. O que fazer? A resposta é mais simples do que que, à primeira vista, se insinua.

É, simplesmente, fazer o que já há algum tempo se faz em países em que a educação se encontra em patamar acima, muitos degraus acima de onde se coloca nossa tímida e insegura educação. Mas, afinal, o que fazem eles e que aqui podemos fazer? Afinal, somos Santo Amaro e não Helsinque, Jacarepaguá e não Seul? Simplesmente deixaram de se assustar com a nova tecnologia e com doçura e cordialidade à convidaram entrar na sala de aula.  Ao contrário do que por aqui há algum tempo ousamos fazer, nesses países mais que depressa se fez. Simplesmente, trouxeram o Celular para a sala de aula, não vociferaram contra os tabletes, proclamando a imortalidade dos cadernos. Simplesmente trataram de adaptar velhas maneiras de se ensinar à novas formas de se aprender.

Atiraram pela janela as cansativas, insípidas e grotescas aulas expositivas, substituindo-as por jogos desafiadores, propostas ousadas de projetos pensados para os grupos. Olharam para o tempo e viram que sem pensamentos sistêmicos não existe sobrevivência e tiveram a ousadia de transformar carteiras enfileiradas em plataformas de discussão e criação. Mas, será que poderemos alcançar essa ousadia? Será que o professor e o aluno brasileiro estão prontos para essa deliciosa transformação?

O aluno, seguramente, sim e mais que estar pronto por ela clama e espera. Já quanto a equipe docente a resposta não pode abrigar generalizações. Claro que existem professores e professora ávidos em aprender, mas não menos claro que também existem resistências. Para mais facilmente percebe-las basta olhar em volta e descobrir quais os que ainda se seguram pelas mãos cantando “Ciranda cirandinha, vamos todos cirandar”