AS AULAS “CHATAS” DE FÁBIO

O CASO:

Fábio, professor de Língua Portuguesa, parece reunir todas as condições que se consideram essenciais a um bom educador. Excelente formação acadêmica, ávido leitor, pesquisador interessado e extremamente capaz de se solidarizar com os colegas é reconhecido por todos, inclusive pela maior parte de seus alunos, como uma “pessoa extremamente simpática”, com grande potencial para fazer amizades. Mas,  Fábio reconhece que suas aulas são “chatas” e como ouve seus alunos, e consegue mostrar-se sincero e incapaz de valer-se de uma informação para fazer perseguições, sabe que sua opinião sobre a qualidade da aula é por eles referendada. Lê bastante e não apenas temas específicos aos conteúdos que explora, conhece bem os caminhos da motivação humana, mas não descobre estratégia para tornar aulas mais interessantes e, dessa forma, acolher em seus alunos uma recepção com mais entusiasmo para o que busca ensinar. O que fazer?

A ANÁLISE DO CASO

É possível que o problema enfrentado pelo Fábio não esteja em sua pessoa, mas no desconhecimento sobre situações de aprendizagem significativas. Busca sempre tornar sua aula “interessante” mas a única estratégia de ensino que aprendeu foi a “aula expositiva” e, por essa razão, passa aos alunos a monotonia de uma estratégia que a maior parte de seus colegas repete, provocando o desinteresse, o tédio e a evasão pela indisciplina.

 

Se Fábio aprendesse outras situações de aprendizagem não necessitaria abdicar definitivamente da aula expositiva, mas ao invés de fazer dessa forma de ensino “ferramenta” única, proporia atividades diferentes, suscitando aos alunos a oportunidade de desenvolverem competências e habilidades diferentes. A aula expositiva é necessária para a “apresentação” de informações, mas uma verdadeira aprendizagem que se contextualiza na vida que se vive e nos desafios que a mesma nos propõe, requer que essas informações sejam transformadas em conhecimento e sejam aplicadas nos desafios do cotidiano de cada aluno. Não se buscam novas situações de aprendizagem com a única finalidade de “dourar a pílula” e tornar a informação mais atraente, mas porque essas novas situações podem dar complemento a informação, instigando a curiosidade, despertando estímulo para novas linguagens e, sobretudo, ajudando o aluno a descobrir nos conceitos que aprende na escola, as respostas para a vida que o desafia. Com o pleno domínio de formas alternativas para se trabalhar um tema, as aulas de Fábio provavelmente ganharão mais interesse, seus alunos descobrirão maior significação em sua aprendizagem e será bem menos desgastante o convívio que a duração de cada aula propõe. Aprendendo novas estratégias e conhecendo outras maneiras de ministrar aulas ganha Fábio, ganham seus alunos e, principalmente, se consolida de forma mais coerente um bom ensino.