ALÔ PAPAI… ALÔ MAMÃE

shutterstock_96898810Imagine a bela cena do papai ou da mamãe ensinando seu filho a andar de bicicleta. Repare a extrema diversidade de conteúdos que essa tarefa abriga. Manter o equilíbrio, movimentar pernas com harmonia, estar atento a veículos e pessoas que cruzam, tratar de preservar uma direção o tanto mais reta quanto o possível, deslocar-se com calma e se esconder da vontade de ser muito rápido e mais, ainda mais. Após algumas tentativas e ao perceber que andar de bicicletas representa conhecimento aprendido e de valor pela vida inteira, surge com razão um sentimento discreto de orgulho e alegria. Investiu-se relativamente pouco tempo e o resultado fez-se gratificante, perene e prazeroso e despertou um gostinho de outros desafios com igual significação e importância e, assim em nome dessa vontade é que esta pequena crônica se escreve. Não se trata agora de ensinar o domínio da bicicleta, mas o controle da mente, mais especificamente do sistema límbico profundo. Não se assuste. A palavra se refere a uma parte do cérebro e tem esse nome esquisito, mas a ação paterna ou materna nada tem de complicada, ainda que envolva paciência maior que para o domínio de pedaladas.  As funções dessa parte da mente se ligam a estados emocionais de euforia e angústia, modula a motivação e ainda muito mais e por essa razão, abra papos com os filhotes falando de coisas importantes e, sobretudo, abra os olhos e os ouvidos para acompanhar se as conversas estão se transformando em ações. Conversas, por exemplo, sobre:

  • A dificuldade em fazer novos amigos, a ausência de interesse por esse prazer aventura e o desinteresse ou dificuldade em preservar as amizades conquistadas;
  • Manter o estado de humor descontrolado e assim sair tal como um relâmpago da extrema alegria para a amarga irritabilidade;
  • Ressentir-se de forma excessivamente intensa com observações críticas que recebe dos pais, dos parentes e dos amigos, “emburrando-se” como se sentisse culpado pelos pecados do mundo;
  •  Apresentam frequentes estados de distração ou esquecimento e já não mais se lembram de onde colocaram o que minutos atrás seguravam.

A lista não é grande, e com alguma dedicação pode ser acompanhada e conferida com facilidade. Não existe criança que neste ou naquele item não escorregue algumas vezes e, assim o importante não se impressionar com acontecimentos espaços, mas com atitudes repetidas e persistentes.  Se, após algum tempo de cuidadosa observação aborrecer-se ao verificar que está crônica em nada serviu, pois o que aponta é incomum ou ocasional não critique o autor, mas olhe para o alto com a felicidade de que o teste deu negativo.  Se não deu, custa pouco buscar ajuda.