A VOLTA DA EDUCAÇÃO MORAL E CÍVICA

A imagem pode não nos ser simpática, mas é indiscutivelmente verdadeira.

Muito do que somos e como agimos liga-se de forma estreita ao nosso longo passado evolutivo, há hábitos, práticas e valores que herdamos dos nossos irmãos e que, pela evolução, desviaram-se como e são agora os chimpanzés. Naqueles velhos tempos, seria impossível sobreviver sem a lealdade na luta, sem companheiros confiáveis que nos tornavam mais poderosos que depredadores muito mais fortes. Nossa espécie não dispunha de couraças fortíssimas, asas e nem nossas pernas eram ágeis como as do leão e nossa força capaz a de se igualar a dos ursos. Restava-nos assim a união, os companheiros, a lealdade na luta e, assim, nasceu à guerra.

Por uma amarga ironia, o nosso sensível e imenso instinto de ajuda ao próximo, desenvolveu-se de forma a constituir a causa principal dos horrores da guerra. Foram esses instintos que nos levou a formar bandos, grupos, turmas e exércitos mortais. Ocorre que essa essencial solidariedade desandou.

É evidente que nossos antepassados queriam a derrota do rival, mas não o seu assassinato, é natural que a força que emana do bando deixasse de lado apenas questões de fronteiras e se tornassem temas de ideias. Vem daí, sem tirar nem pôr, os atentados, os massacres, a homofobia e tudo quanto hoje nos envergonha e horroriza e que enchem de manchetes os jornais escritos ou não. E agora? Fazer o quê? Apagar os traços evolutivos? Impossível. Esquecer que muito do mal que hoje nos aflige ocorre por causa da associação viciosa do ataque com a cooperação do grupo?

Que atacamos bem mais para apoiar nossas camaradas do por defender ideais pátrios?

Parece que ao se chegar a esse ponto, percebem-se duas alternativas: Uma impossível:

Apagar a nossa evolução como espécie, outra plausível esquecer uma escola dominada pela exclusiva informação de conteúdos, para abrir espaço e também se trabalhar valores éticos e morais. Será que não é hora de uma nova Educação Moral e Cívica?

Não, é evidente, aquela que veio dar respaldo ao “cala a boca” da Ditadura, mas está apoiada em fundamentos mais realistas e essenciais. Basta olhar, por exemplo, o trabalho formativo que é feito em alguns países escandinavos, cujo reflexo é a inevitável exterminação de presídios. Porque penitenciárias, se a educação calou o crime?