A IMPORTÂNCIA DE BRINCADEIRAS LÚDICAS – REDE SABER

Sem títuloEntrevista com Celso Antunes Celso Antunes é formado em Geografia pela Universidade de São Paulo e Especialista em Técnicas de Ensino e Aprendizagem. É membro da Associação Internacional pelos Direitos da Criança Brincar (UNESCO) e autor de diversos livros sobre educação.

Por que aprender brincando é melhor?

É importante compreender que existem brincadeiras lúdicas e sem qualquer finalidade educativa e existem jogos educativos. Nesse sentido, brincando se aprende melhor pelo interesse e motivação que toda brincadeira proporciona, mas é essencial que com muito cuidado se possa selecionar os jogos operatórios e sua plena significação nas aprendizagens para as quais foram idealizados. É extremamente sério pensar que qualquer brincadeira ensina e que, nesse sentido, devem-se abolir outras ações e “ferramentas” pedagógicas.

Que tipo de conhecimento pode ser transmitido através das brincadeiras?

A maior parte dos conhecimentos habitualmente transmitidos em aulas comuns e, portanto, os mais diversificados temas educacionais e ainda outros fundamentos que uma atividade lúdica e cooperativa pode incrementar.

Valores morais também podem ser ensinados em um jogo?

Indiscutivelmente, sim. Mas é importante reafirmar que não é qualquer jogo e nem qualquer brinquedo, mas jogos específicos para se trabalhar valores e que envolvam uma consciente ação educativa. Atrevo-me sugerir a leitura de “Trabalhando Valores nas Séries Iniciais”, de minha autoria e editado pela Editora Vozes, que aborda os que são jogos maiêuticos e sua ação estimuladora na educação de procedimentos, condutas e valores.

9788538014256Como um professor pode brincar com os seus alunos e ao mesmo tempo cumprir com as tarefas do dia a dia em sala de aula?

A indagação está apoiada em uma interpretação equivocada. Professores que conhecem jogos operatórios e os aplicam em sala de aula estão cumprindo com maestria as suas atividade de rotina e que envolvem a estratégia da aula, a forma de transmitir conteúdos, a exploração de habilidades e de competências e esquemas progressivos de avaliação. Nesse sentido, “Jogos Operatórios” não são “brincadeiras”, mas estratégias altamente motivadoras e que, semelhantes a jogos lúdicos ou esportivos, ensinam crianças e adolescentes o que consta da programação pedagógica docente.

Todas as disciplinas podem ser ensinadas através de brincadeiras?

Se pensarmos na palavra “brincadeira” como atividade lúdica e recreativa, a resposta é não; se soubermos aprender e compreender o pleno significado do que são jogos operatórios, a resposta é sim.

Tecnologia também pode ser brincadeira?

O que é uma brincadeira? Sem que se compreenda o abrangente e amplo sentido dessa palavra, é impossível uma resposta. A criança que é desafiada a vencer problemas em um jogo eletrônico, está “brincando” e, simultaneamente, também estimulando sua inteligência lógicomatemática. E da mesma maneira, crianças que “brincam” de “pegador” ao correr e se esconder, estão estimulando sua condição muscular e cardiorrespiratória. Portanto, é essencial que se abra o sentido amplo e filosófico da palavra “brincadeira” para se encontrar uma resposta coerente.

As brincadeiras são elementos de cultura? Por quê?

É evidente que sim. O conceito de “cultura” abriga espaço para atividades diversificadas e o folclore de cada país é significativamente expresso por inúmeras faces, e entre elas não se excluem jogos e brincadeiras.

Link