A CRIATIVIDADE É FILHA DA DIVERSIDADE

A escola brasileira, pública ou particular, assassina a criatividade, uma vez que esta perspectiva inteligente abriga dois ingredientes imprescindíveis, sempre ausentes em nossas escolas. O primeiro fator da morte da criatividade advém de um currículo segmentado que impõe limites à expansão do pensamento e a fuga de uma trilha mental subserviente e rotineira. O segundo elemento exterminador da criatividade liga-se ao método de ensino usual em que o professor sempre induz seus alunos à crença que toda questão sempre abriga uma, e somente uma resposta certa. Dono impoluto do saber, medroso em assumir a dúvida, o que nossos professores falam e o que cobram é a síntese falaciosa de uma suposta verdade e quem disso se distancia está condenado ao erro.

Esses dois fatores – currículo formatado e verdade inquestionável – se opõe a um trabalho através de projetos, que integrando múltiplos desafios, sugere o pensamento interdisciplinar e que, dessa maneira, não induz ao aluno perceber que a verdade ou se situa na biologia ou mora na química, ou está na matemática ou se associa a Geografia.

Como se isso não bastasse, a morte da criatividade ainda mais penosamente é imposta na hora do intervalo, sempre curto demais, e que assim impede a troca grupal mais intensa, a descoberta surpreendente da diversidade, a insubstituível liberdade para uma autêntica e sempre essencial sociabilização. É na liberdade do pátio que os alunos aprendem a se socializar, inventar regras de cooperação e de competição e com isso estimulando a imaginação, refazendo seus conceitos, esculpindo sentidos novos para a criatividade. Sem essa liberdade supervisionada, nossas crianças crescem preferindo praticar esportes virtualmente e a fingir que a tela do smartphone é a sua vida real.

Ao se traçar essa linha de homogeneidade que no Brasil integra a escola pública à escola particular e uniformiza o método de ensino da educação infantil ao Ensino Médio, a educação brasileira se coloca distante de como é a mesma pensada em países como a Finlândia, Singapura, Hong Kong e Coréia do Sul que, sem dúvida, representam paradigmas educacionais notáveis pelo sucesso que revelam e pelas realizações que seus alunos alcançam. Sucessos e realizações que destacam mundialmente esses países e que por assim fazê-lo nos mostra uma posição de inegável indigência.

Até é possível entender que mudanças simples como essas não são fáceis para as nossas escolas públicas cuja grandeza do sistema educacional torna-o preguiçoso e lento demais, mas surpreende ainda mais que escolas particulares, livres dessas amarras, continuem prisioneiras de sua tradição que as limita e que as faz indigentes.